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Brasileira do atletismo ganhou prata e bronze na Paralimpíada com tumor na cabeça

Após a retirada de dois tumores, lhe disseram que não poderia mais correr. Nesta Paralimpíada do Rio, ela ganhou duas medalhas

Disseram para a atleta brasileira Verônica Hipólito, de 20 anos, que ela não poderia mais andar depois de sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Após a retirada de dois tumores, lhe disseram que não poderia mais correr. Nesta Paralimpíada do Rio, ela ganhou duas medalhas (prata e bronze), correndo com um tumor na cabeça.

Para atleta, porém, este não é um diferencial entre as demais atletas. Ela também não quer ser vista “como coitadinha”, diz. “Na hora da corrida, você não tem muito tempo para pensar em tumor. Só em correr. Aqui, tem histórias incríveis. Se você parar para conversar na pista com qualquer pessoa, ela vai ter uma história para contar para você. Mas o problema vai ficar com o atleta. A adversária não vai se importar, ela quer ganhar. Na pista, todo mundo corre de igual para igual”, disse.

Questionada sobre como foi correr com um tumor na cabeça, Verônica responde que só foi se lembrar que estava com o problema na semana passada, antes de ganhar a medalha de prata na prova dos 100 metros na classe T38 (paralisados cerebrais andantes).

“Meu médico me mandou uma mensagem de celular esses dias e eu lembrei “ah, eu tenho um tumor na cabeça”. Aumentei a dose do meu remédio este ano e vou fazer exames, depois que acabar a competição. Eu já retirei um e tratei de outro com remédio. Talvez esse também seja assim. Não esperava nem vir para os Jogos. No dia 20 de agosto do ano passado eu estava operando, no dia 1º de setembro chorando de dor. Hoje estou aqui comemorando. Fiz tudo o que poderia ter feito”, afirmou.

Nesta quarta-feira, Verônica faturou o bronze na disputa dos 400 metros na classe T38. Ela marcou o tempo de 1min03s14. O ouro ficou com a britânica Kadeena Cox, que registrou recorde mundial com 1min00s71. A prata foi da chinesa Junfei Chein, com 1min01s34.

“Isso é alto rendimento. É querer mais e mais. Quando te falam que esse é o seu tempo máximo, você vai lá e consegue diminuir. Isso é só o início porque estou há pouco tempo treinando coma seleção brasileira. Tenho muito que melhorar ainda”, disse.

A atleta também lembrou que muitas pessoas lhe disseram que participar da Paralimpíada seria “impossível”. “Teve gente dizendo que eu não ia andar depois do AVC e eu estou aqui hoje, ganhando medalhas. Teve gente que, depois da minha cirurgia no ano passado, disse que eu não poderia mais correr e eu estou aqui com um tumor na cabeça. E se tiver que operar de novo, vou operar. Não é no tumor ou no AVC que você tem que se apegar. É no seu tratamento, no depois. Isso que me faz estar aqui hoje. Só você sabe da sua dor”, afirmou.

Além das duas novas medalhas da Paralimpíada, Verônica também tem ouros no 100, 200 e 400 metros e prata no salto em distância nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015. Também ganhou o ouro nos 200 metros e prata nos 100 metros no Mundial de Lyon de 2013.

A paulista sofreu um AVC, no início de 2013, que prejudicou parcialmente seus movimentos do lado direito. Competidora do atletismo olímpico, migrou para o movimento paralímpico logo depois do incidente e, desde então, tem mostrado ótimos resultados. Era cotada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro como esperança de medalha nesta Paralimpíada.