FolhaPress

Brasil investiga um caso de suspeita de coronavírus, e ministério sobe nível de alerta

O Ministério da Saúde desaconselha viagens à China neste momento

O Estado de Goiás poderá receber informações da China sobre o novo coronavírus. A cooperação do país chinês deve ser feita via teleconferências (Foto: Diário do Turismo)
O Estado de Goiás poderá receber informações da China sobre o novo coronavírus. A cooperação do país chinês deve ser feita via teleconferências (Foto: Diário do Turismo)

O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira (28) que investiga um caso de suspeita de coronavírus no país. O caso é de uma estudante de 22 anos atendida em Belo Horizonte e que viajou para a cidade de Wuhan, na China, epicentro da doença.

Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o estado de saúde da paciente é estável. Após ser atendida, ela foi colocada em isolamento até o resultado de exames. Cerca de 14 pessoas que tiveram contato com a paciente estão sendo monitoradas.

Atualmente, não há um teste rápido para o coronavírus, mas é possível fazer exames laboratoriais que verificam se o padrão do vírus é equivalente ao identificado na China. Os resultados devem ficar prontos até sexta-feira.

Ainda de acordo com o ministério, desde 18 de janeiro, outros nove casos de pessoas com sintomas respiratórios chegaram a ser notificados por secretarias de saúde para serem avaliados, mas nenhum se enquadrava na definição de casos suspeitos. Resultados de exames feitos nos pacientes também descartaram o quadro.

O Ministério da Saúde desaconselha viagens à China neste momento. “Não sendo estritamente necessário, recomendamos que não façam viagens até que o quadro todo esteja bem definido”, afirma, citando a ausência de dados completos sobre a extensão da transmissão do novo coronavírus.

Na segunda-feira (27), a OMS (Organização Mundial da Saúde) corrigiu a avaliação de risco diante do coronavírus de “moderado” para “alto”. A medida levou o Ministério da Saúde a atualizar a definição de casos de suspeita.

Antes, eram considerados suspeitos os casos de pessoas com sintomas respiratórios, como febre, tosse e dificuldade para respirar, e com histórico de viagens a região de Wuhan nos últimos 14 dias antes do início dos sintomas.

Agora, passam a ser considerados como suspeitos aqueles com histórico de viagens a toda a China 14 dias antes do início dos sintomas. O intervalo corresponde ao período de incubação do vírus -tempo entre infecção até o desenvolvimento dos sintomas.

Na última semana, o Ministério da Saúde ativou um centro de operações de emergência para monitorar o registro de possíveis casos. O centro, formado por especialistas em emergência em saúde pública, foi ativado em nível 1, entre três possíveis, o que indica um alerta inicial, visando a preparação da rede de saúde.

Com o registro de um caso de suspeita em investigação, o nível de alerta passa agora a nível 2.

“Na medida em que identificamos o primeiro caso que se enquadrou na definição de suspeitos, entramos no nível 2, que é de perigo iminente [do vírus chegar ao país]. A partir do primeiro caso confirmado, entramos em nível 3, e declaramos emergência de saúde pública de importância nacional”, diz o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira.

Ele explica que o termo adotado para classificação de cada nível segue protocolos de saúde.

Para o ministro, a mudança no nível de alerta visa indicar à rede de saúde a necessidade de maior atenção devido à possibilidade do vírus chegar ao país.

Não se trata, porém, de um risco iminente de surto ou epidemia, afirma, mas, sim, de haver casos no país. “Falamos em perigo iminente quando se tem um vírus novo e a informação de que se tem transmissão sustentada em outro país. Pessoas que estiveram na China se movimentam em quantidade grande, o que eleva o perigo de o vírus entrar em território nacional”, afirma Mandetta.

Segundo ele, a rede de saúde está preparada para atender possíveis casos.

“É um momento de tranquilizar a população brasileira. Não temos hoje nenhum caso sustentado de circulação no Brasil”, diz o ministro. “Não é motivo nenhum para termos qualquer tipo de pânico, mas de sermos cautelosos”, afirma ele, que lembra que o SUS já atendeu a outras situações semelhantes de emergência, como a Sars e o zika. “Estamos preparados para monitorar todo esse quadro e aguardar o que a ciência coloca.”

Ele ressalta que a extensão da transmissão do novo vírus ainda é avaliada, mas que dados iniciais de outros países não apontam para uma transmissão rápida. Segundo o ministro, além dos casos notificados pelas secretarias de saúde, a pasta chegou a verificar 126 rumores de casos de coronavírus, mas nenhum estava nos critérios.

A recomendação para prevenção segue parâmetros semelhantes ao de outras infecções respiratórias, como evitar contato próximo com pessoas doentes e lavar as mãos com água e sabão.