Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás

Brasil é o país com maior número de jornalistas mortos por Covid-19

Levantamento foi feito pela Fenaj. Porém, dados podem estar subnotificados por falta de informações centralizadas

Brasil é o país com maior número de jornalistas mortos por Covid-19
Brasil despenca e entra em 'zona vermelha' no ranking de liberdade de imprensa (Foto: Guia do Estudante)

O dia do Jornalista é comemorado nesta quarta-feira (7) e um levantamento feito pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) traz uma situação preocupante para a classe trabalhista. O Brasil é país com maior número de profissionais da imprensa mortos por Covid-19 no mundo.

Segundo o levantamento, de abril de 2020 a março de 2021, o maior país da América Latina registou 169 mortes de jornalistas em decorrência do novo coronavúrus. A quantidade ultrapassou o Peru, que até então era o país com a maior números de profissionais que vieram a óbito por causa do vírus Sars-Cov-2.

O estudo ainda mostra que, nos três primeiros meses de 2021, o número de mortes registradas superou todos os óbitos do ano passado. Em 2020, de abril a dezembro, 78 jornalistas morreram enquanto 86 óbitos foram registrados neste ano.

A Fenaj destaca que a média de mortes por mês passou de 8,5 neste ano para 28,6 óbitos mensais neste ano. O aumento no número médio de vítimas passou para 264%. O primeiro caso de mortes de profissional causado por Covid-19 no Brasil foi registrado em abril do ano passado. Neste mesmo mês, sete jornalistas morreram por causa da doença.

O número se manteve constante até outubro. Os dois últimos meses de 2020 apresentaram elevação na curva de vítimas, tendência que se confirmou em janeiro de 2021, onde foram registrados 26 óbitos. Esse valor representa 1/3 do número total verificado no ano anterior.

Treze jornalistas perderam a vida em fevereiro e, no mês passado, que foi tido como o mais letal da pandemia no pais, também foi o mais devastador na classe: 47 jornalistas mortos.

Os estados onde mais registaram óbitos de profissionais foram São Paulo, Pará e Amazonas. Foram 19 mortes em cada um deles. Apenas o Acre não registrou nenhuma vítima fatal por causa da Covid-19. Porém, o relatório destaca que possa haver subnotificação já que não há uma fonte centralizada para coleta de informações. Elas foram obtidas através de publicações direta em jornais, sites e blogs de todo o país, de sindicatos dos jornalistas no Estado ou vindas diretamente por colegas de trabalho. Goiás, por exemplo, aparece com apenas uma morte registrada no levantamento.

O estudo reforça ainda que 55% das vítimas fatais dentro da categoria tinha entre 51 a 70 anos. As mulheres correspondem 9,8% das mortes. A média de idade das jornalistas mortas pela doença é bem menor do que a dos homens. Enquanto a média geral dos homens é 61 anos, a delas são de 43 anos. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) de 2019 apontava que elas ocuparam 36% dos postos de trabalho na categoria.

“Assim com os profissionais da saúde, a categoria dos jornalistas também está se sacrificando para garantir informação de qualidade para a população brasileira. Os números são alarmantes, mas vamos continuar cumprindo nosso papel, porque informação verdadeira também ajuda a salvar vidas”, afirma Maria José Braga, presidente da Fenaj.

*Com informações do Poder 360