Bolsonaro rebate arcebispo de Aparecida e volta a defender armar a população

Dom Orlando Brandes afirmou, durante missa em homenagem à padroeira do Brasil, que 'para ser pátria amada não pode ser pátria armada'

Bolsonaro rebate arcebispo de Aparecida e volta a defender armar a população (Foto: Reprodução)
Bolsonaro rebate arcebispo de Aparecida e volta a defender armar a população (Foto: Reprodução)

Em resposta ao arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, que na última terça-feira (12) afirmou que pátria amada não precisa ser pátria armada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender que a população se arme. Em visita ao município paulista de Miracatu, Bolsonaro afirmou que respeita a opinião o religioso, mas que antes “somente os marginais e os bandidos é que tinham arma de fogo” no Brasil.

O presidente, entretanto, não entende que Brandes tenha criticado o armamento da população. “Ele não falou, ele é uma pessoa educada. Não íamos discutir abertamente isso aí, até porque eu não tinha microfone, não tinha como discutir, era apenas ele nesse assunto. Respeito os bispos e respeito a todos que tenham a posição diferente da minha”, afirmou o presidente.

Além de criticar o incentivo para que a população aquira armas, Brandes também falou sobre “mentiras e fake news”: “Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira”, afirmou o religioso durante o sermão de terça (12).

O arcebispo foi questionado se o sermão era direcionado para Bolsonaro e disse a jornalistas que o destinatário era o povo brasileiro, como um todo. Bolsonaro viajou a Miracatu, no Vale do Ribeira, região mais pobre do estado de São Paulo, para a uma cerimônia de entrega de títulos de propriedade rural. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o secretário especial de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia, e o presidente do Incra, Geraldo Melo Filho, estiveram presentes.

Indicação de André Mendonça ao STF

Em discurso no evento, o presidente também afirmou que o ex-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) André Mendonça será “brevemente” o mais novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o jornal “Valor Econômico”. Assim como Bolsonaro, Mendonça também cresceu no Vale do Ribeira.

— Se Eldorado tem um presidente, se Deus quiser, brevemente, Miracatu terá um ministro do Supremo Tribunal Federal. À família de Miracatu, à família de André Mendonça, meus cumprimentos por esse homem extremamente competente, capaz e inteligente. E dentro do meu compromisso, um evangélico para o STF — declarou.

Indicado à Suprema Corte, Mendonça espera por sua sabatina no Senado há três meses. O evento depende do agendamento por parte do senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça.

Vacinação

Mais cedo, Bolsonaro afirmou, em entrevista à rádio “JovemPan”, que não vai se vacinar contra a Covid-19. Anteriormente, ele havia dito que seria o último brasileiro a se imunizar.

— No tocante à vacina, eu decidi não tomar mais a vacina. Eu estou vendo novos estudos, eu estou com a minha imunização lá em cima. Para que vou tomar a vacina? Seria a mesma coisa de jogar na loteria R$ 10 para ganhar R$ 2. Não tem cabimento isso daí — disse.

A vacinação é a principal solução contra a pandemia de coronavírus pela qual o planeta passa desde março de 2020 e é recomendada por cientistas do mundo inteiro. O Brasil tem colhido frutos da vacinação avançada. No fim de setembro, por exemplo, 94% dos hospitalizados por Covid-19 no Hospital Ronaldo Gazolla, no Rio, não tinham tomado nenhuma dose da vacina. Com metade da população vacinada, a cidade tinha na semana passada o menor número de internados em 15 meses.

Com informações do jornal O Globo.