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Bolsonaro critica isolamento e o culpa como fator de ganho de peso da população

Não há pesquisa científica que indique ineficácia do isolamento social

Bolsonaro critica isolamento e o culpa como fator de ganho de peso da população
Primeiro foco da CPI da Covid será compra de vacinas e cloroquina (Foto: Carolina Antunes/PR)

No dia em que o Brasil registrou mais de 4 mil mortes em decorrência da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar o isolamento social e, para isso, deu como exemplo o suposto aumento de peso da população, durante conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, na noite da última terça-feira (6).

“Tem uma pesquisa aí que diz que quem tem uma vida saudável é 8 vezes menos propenso a ter problema com a covid”, afirmou ele, sem citar a fonte da pesquisa, em vídeo divulgado por canal bolsonarista no YouTube.

“Mas quando você prende o cara em casa, o que ele faz em casa? Duvido que ele não aumentou um pouquinho de peso. Duvido. Até eu cresci um pouquinho a barriga”, completou Bolsonaro, arrancando gargalhadas dos apoiadores.

Diante da escalada no número de casos de coronavírus, no Brasil, todos os estados e o Distrito Federal passam por algum tipo de restrição. O isolamento social é consolidado internacionalmente como uma das principais ferramentas de combate à covid-19.

Entre especialistas e a comunidade científica, não há questionamento de que medidas de isolamento social funcionam para combater a pandemia.

Mais do que isso, segundo pesquisadores ouvidos pelo UOL, as restrições não só ajudam a segurar os números como evitam o surgimento de novas variantes – algo que, no Brasil, sem controle geral da pandemia, não tem acontecido.

Em março, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu uma orientação para a população usar máscaras e adotar o isolamento ao assumir a pasta. A postura foi elogiada por parlamentares, inclusive integrantes da oposição, por não seguir o presidente Jair Bolsonaro.

“Do que eu não sou culpado, aqui, no Brasil?”

Durante a conversa com apoiadores, Bolsonaro também falou sobre o título de “genocida” dado a ele em função das mortes ocorridas durante a pandemia da covid-19, e ironizou.

“Me chamavam de torturador, racista, homofóbico. Agora é o quê? Aquele que mata muita gente? Genocida! Imagina se o Haddad estivesse no meu lugar?! (…) Do que eu não sou culpado aqui no Brasil? (risos)”, afirmou ele.

“O pessoal [em outros países] quer destruir o vírus. O pessoal, aqui, quer destruir o presidente. Se vai morrer mais gente, não interessa [pra eles], não”, concluiu.

Novo recorde

O Brasil bateu, mais uma vez, recorde no número de mortes pela covid-19. Nas últimas 24 horas, foram confirmados 4.211 óbitos em todo o país. É a primeira vez que o índice supera a casa de 4 mil. O levantamento é do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte, com base nos dados fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde.

Em um mês, o Brasil dobrou o número de mortes em um dia pela covid. No dia 6 de março, o recorde da pandemia era de 1.840 vidas perdidas por dia. Quatro dias depois, registrou mais de 2.000 óbitos nas últimas 24 horas. Após duas semanas, em 23 de março, o país superou a marca de 3.000 mortes no mesmo dia. Com a progressão, o número total de mortes da pandemia é de 337.364.