Bolsas de Nova York despencam após China anunciar retaliações contra os EUA

Na manhã desta segunda, o Ministério das Finanças da China anunciou que imporá tarifas de até 25% sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos a partir de 1º de junho


Estadao Conteúdo
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Do Estadao Conteúdo | Em: 13/05/2019 às 18:23:16


(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

As bolsas de Nova York fecharam em forte queda nesta segunda-feira, 13, após a China decidir retaliar os Estados Unidos e impor tarifas sobre produtos americanos, em mais um capítulo do conturbado processo de negociação comercial entre os dois países.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou em queda de 2,38%, a 25.324,99 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 2,41%, em 2.811,87 pontos. Ambos registraram o pior desempenho porcentual diário desde 3 de janeiro. O índice eletrônico Nasdaq, por sua vez, apresentou a pior performance diária desde dezembro e encerrou em baixa de 3,41%, com 7.647,02 pontos. O índice de volatilidade VIX, considerado o “medidor do medo” no ambiente acionário nova-iorquino, saltou 28,12%, para 20,55 pontos, e passou a indicar um ambiente negativo para os negócios.

Na manhã desta segunda, o Ministério das Finanças da China anunciou que imporá tarifas de até 25% sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos a partir de 1º de junho. A imposição é retaliação ao aumento da alíquota de tarifas americanas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, de 10% para 25%, que entrou em vigor na última sexta-feira. De acordo com o presidente americano, Donald Trump, os EUA aumentaram as tarifas sobre produtos do país asiático porque a China adotou a “postura indefensável” de tentar renegociar pontos que já estavam superados no acordo comercial entre os dois países.

O agravamento das tensões preocupa os investidores, que demonstraram clara aversão ao risco e fugiram do mercado acionário. “Eu acredito que seja um prelúdio do que está por vir”, disse o presidente-executivo do fundo Ladenburg Thalmann, Phil Blancato, à CNBC. “Os investidores devem esperar ainda mais volatilidade no curto prazo”, concluiu.

Nesse cenário, o subíndice industrial do S&P 500 caiu 2,84%, em 623,48 pontos, na esteira das ações de empresas do setor que despencaram no pregão desta segunda. A Boeing fechou em queda de 4,88% após rumores de que a China pode reduzir suas encomendas de jatos da companhia americana como uma tática para pressionar os EUA em relação à guerra comercial. Mirando nos efeitos da disputa sobre a desaceleração global, a Caterpillar, que produz máquinas principalmente para construção civil e mineração viu suas ações caírem 4,60%.

No setor de tecnologia não foi diferente. A Apple perdeu 5,81% com os investidores preocupados com uma possível diminuição no número de aparelhos vendidos na China em meio ao imbróglio entre as duas maiores economias do planeta. Além disso, a Suprema Corte americana decidiu que consumidores podem levar adiante um processo antitruste contra o controle exclusivo pela Apple do mercado para aplicativos do iPhone, o que ameaça uma fatia dos bilhões de dólares em vendas de software da companhia. A gigante do Vale do Silício puxou para baixo outras empresas relevantes do setor, como Microsoft (-2,97%) e Intel (-3,12%). O subíndice de tecnologia do S&P 500 apresentou a pior performance setorial do dia, registrando queda de 3,71%, em 1.284,72 pontos.

A Uber, que abriu capital na última sexta-feira e decepcionou o mercado, tombou 10,75%, com as ações cotadas a US$ 37,10, bem distante dos US$ 45,00 de oferta inicial projetados pela companhia.