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Crítica: Schumacher (2021) – Netflix

Filme mira o coração e emociona, além das cenas sempre empolgantes da Fórmula 1, mas não deixa de ser uma obra óbvia e superficial

(Foto: Reprodução/Clive Mason-Getty Images)

Lançado recentemente na Netflix, o documentário “Schumacher” conta de maneira objetiva, resumida, mas cheio de emoção, a trajetória de vida do piloto alemão Michael Schumacher, e seu espírito indômito que o fez se tornar o piloto de corrida 7 vezes Campeão Mundial da Fórmula 1.

Ayrton Senna, Nikki Lauda, Alain Prost, Nelson Piquet e tantos outros nomes da Fórmula 1 foram, sem dúvida, um marco na história do automobilismo. É inegável a importância de cada um deles para a história do campeonato. Mas nada supera a vivência de um momento e como ela cria identificação, lembranças e laços afetivos. Não peguei a era Senna, mas cresci assistindo a Era Schumacher na Fórmula 1, quando o piloto reinava em absoluto como o grande nome da modalidade. Foram inúmeros domingos em que ligava a televisão na Rede Globo pela manhã e assistia com o meu pai as corridas. Schumacher era a nossa principal torcida! Ele teve alguns bons anos, outros nem tanto, e outros repletos de corridas históricas e marcantes que arrepiavam cada pelo do corpo.

O documentário “Schumacher” me levou novamente a este período marcante da minha infância, e possui momentos de pura emoção que exploram a tenacidade, e voracidade, de Schumacher como piloto, e sua audácia que em muitos casos levou a acidentes, e até a ser desclassificado. Aliás, ainda que superficialmente, o filme explora este lado negro de sua carreira, onde muitos o consideravam um ‘Dick Vigarista’. O filme não se aprofunda tanto no assunto pois não deixa de ser uma obra em homenagem a Schumacher, com depoimentos de membros da família (como esposa, pai e filho), e aprovado pela mesma. É um filme chapa branca? Sem dúvida. Mas deixa de ser menos empolgante rever as corridas e acompanhar a ascensão de um excelente piloto? Não.

Minha maior crítica fica para com o final. Em 2013, Schumacher estava esquiando e sofreu um acidente gravíssimo que o deixou em coma. Ele não morreu mas não é mais o mesmo. Como o próprio filme ressalta, Schumacher sempre foi um sujeito reservado que sempre buscou manter sua vida pessoal privada. Ainda hoje, pouco se sabe sobre a saúde do ex-piloto e como ele se encontra atualmente. Mas se a família aprova um filme como este em uma plataforma tão abrangente como a Netflix, o mínimo para os fãs (como eu) seria explorar com maior profundidade a condição atual de Michael Schumacher. Como ele está? Está consciente ou não? Nenhuma foto recente? Em um filme, tudo fica para sempre registrado e este momento atual faz parte da vida de um dos maiores pilotos da história. Manter isso em sigilo é um tanto quanto frustrante, principalmente sobre alguém cheio de admiradores pelo mundo.

Mas ainda assim, “Schumacher” é um documentário óbvio e superficial que pouco vai além sobre a vida do piloto alemão, mas consegue ser empolgante ao mirar no coração. Temos uma sequência durante o campeonato da Fórmula 1 de 2000 em que o filme explora a rivalidade entre Schumacher e Mika Hakkinen, e é um dos melhores e mais extasiantes momentos do longa. É um filme, principalmente, para fãs de automobilismo e de Michael Schumacher. Como fala Galvão Bueno aqui no Brasil: Haja coração!!!

Schumacher/ALEMANHA, EUA – 2021

Dirigido por: Hanns-Bruno KammertönsVanessa NöckerMichael Wech

Sinopse: “Schumacher” é um documentário sobre a vida e carreira do corredor alemão de Fórmula 1 Michael Schumacher.

Documentário sobre a vida de Michael Schumacher estreia em setembro na Netflix | Entretenimento | autoesporte