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Crítica: O Diabo de Cada Dia | Netflix

Longa-metragem tem elenco estelar formado por Tom Holland, Robert Pattinson, Bill Skarsgard, Sebastian Stan, Mia Wasikowska e outros

(Foto: Reprodução/Netflix)

Em tempos onde o poder religioso tem retornado com força no palanque político e sendo usado por muitos nomes poderosos para justificar o ódio, a violência, o racismo e outras questões nada dialogáveis com os verdadeiros ensinamentos de Jesus Cristo, o diretor Antonio Campos enfatiza bastante neste seu novo projeto, “O Diabo de Cada Dia”, o poder influente e manipulador da religião. A soberba e os atos intragáveis da raça humana em nome da “voz de Deus”.

O filme se passa em meados dos anos 60, logo quando os EUA vivia fervorosamente a Guerra do Vietnã (que começou em novembro de 1955 e durou até abril de 1975). Durante a última cena do longa, uma das falas do então presidente Lyndon B. Johnson ecoa do rádio dizendo que pretende aumentar o envio de soldados para a guerra e que os EUA não poderia ser derrotado pela força do braço ou qualquer poder maior.

De acordo com o filme de Campos, a maior força destrutiva é a que vem de dentro. De dentro de casa. Nada mais consumidor do que o poder hereditário desta violência internalizada capaz de corroer e cegar o homem, mas que, muitas vezes, é travestida de religião. De sinais divinos. De “a voz de Deus”.

Adaptado do livro “O Mal Nosso de Cada Dia” de Donald Ray Pollock, a história não acompanha apenas um personagem. O roteiro possui diversos núcleos que de um jeito ou de outro se cruzam ao longo do caminho. Muitos desses personagens encontram o destino final logo de imediato, e outros levam um pouco mais de tempo. Mas em quase todas as histórias a religião é poderosamente presente.

Alguns personagens soam sem muito propósito e outros um tanto quanto superficiais e a partir de certo momento o enredo torna-se previsíve. Algumas tramas são boas, e outras nem tanto, mas de modo geral, o filme resulta em um drama poderoso ao trabalhar um tema enraizado e fortemente presente em nosso cotidiano, e que moldou sempre o pensamento de muitos.

Tom Holland está ótimo e convence com o peso, e drama, de seu personagem. Robert Pattinson é um show, e um nojo, como o pastor de uma igreja. O elenco no geral merece elogios, formado por atores ótimos como Bill Skarsgard (o palhaço Pennywise de “It – A Coisa”), Sebastian Stan (o Soldado Invernal da Marvel), Harry Melling, Jason Clarke, Riley Leough, Haley Bennett, Eliza Scanlen e até Mia Wasikowska (a Alice do mundo das maravilhas de Tim Burton), que considero uma atriz bem sem graça, está bem e não compromete a qualidade da obra.

The Devil All The Time/EUA – 2020

Dirigido por: Antonio Campos

Com: Tom Holland, Robert Pattinson, Bill Sgarsgard…

Sinopse: Ambientada entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, O Diabo de Cada Dia acompanha diversos personagens num canto esquecido de Ohio, os quais a vida acabam se conectando. Willard Russell (Bill Skarsgård) é um atormentado veterano, sobrevivente de uma carnificina, que não consegue salvar sua bela esposa de uma morte agonizante por conta de um câncer, mesmo com toda a oração e devoção de sua parte. Enquanto isso, Carl (Jason Clarke) e Sandy Henderson (Riley Keough), um casal de assassinos em série, percorrem as rodovias americanas em busca de modelos adequadas para fotografar e exterminar. E no meio disso tudo está Arvin Russell (Tom Holland), filho órfão de Willard e Charlotte (Haley Bennett), que cresceu para ser um homem bom mas começa a demonstrar comportamentos violentos quando passa a desconfiar que o líder religioso da cidade, Preston Teagardin (Robert Pattinson), é uma farsa.