Telemania

Crítica: Mate ou Morra (2021)

A fórmula do loop temporal não é nada original, mas "Mate ou Morra" entende muito bem ela e entrega uma excelente diversão

(Foto: Divulgação)

A premissa de loop temporal não é nenhuma novidade e nos últimos anos tem sido usada à exaustão, seja em filmes de ação (“No Limite do Amanhã”), suspense (“A Morte Te Dá Parabéns”), romance (“O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas”), comédia (“Palm Springs”) ou até seriado (“Boneca Russa”), a ideia é promissora e rende muito caldo, principalmente quando bem atrelada a ótimos personagens e enredo. Para minha surpresa, “Mate ou Morra” é um desses filmes que não somente utiliza com muita criatividade o loop temporal, como o faz com sensibilidade, ritmo e sem perder o fio emocional de sua narrativa.

Frank Grillo é um desses atores que sempre considerei genérico e sem carisma. Ele ganhou notoriedade após a série “Prison Break” e quando participou de “Capitão América: O Soldado Invernal” e “Capitão América: Guerra Civil”, onde interpretou o vilão Ossos Cruzados. Ainda não é um sujeito que me conquiste por completo, mas aqui ele entrega um personagem que percorre bem os momentos de drama e ação, mesclado com um humor sutil que colabora para seu carisma. Resumindo: ele funciona muito bem neste filme.

Em seu enredo, o longa entrega uma história que envolve o fim do mundo, empresários maníacos assassinos (Mel Gibson), relacionamento, ação explosiva e graficamente violenta, e à medida em que o personagem aprende a utilizar o loop temporal para resolver os problemas, a trama desenrola uma envolvente história familiar entre pai e filho que não soa descartável ou cafona.

A direção de Joe Carnahan é inspirada e empolgante, e o diretor não deixa ela cair no marasmo, pelo contrário, tudo é bem criativo e cheio de ritmo colaborando para uma experiência extremamente divertida. A ótima trilha composta por excelentes músicas só colabora para momentos ainda melhores.

“Mate ou Morra” lembra um jogo de vídeo game, e o coração está fincado justamente aí. Mas acima de tudo isso, é uma obra que busca trabalhar uma fórmula clichê de maneira que não soe cansativa ou repetitiva (apesar da história lidar com repetição). De maneira totalmente surpreendente, o filme tem coração, possui ótima ação e um desenrolar deliciosa que passa voando. Sempre bom ser surpreendido!

Boss Level/EUA – 2021

Dirigido por: Joe Carnahan

Com: Frank Grillo, Naomi Watts, Mel Gibson, Michelle Yeoh, Annabelle Wallis…

Sinopse: Em Mate ou Morra, acompanhamos a história de Roy Pulver (Frank Grillo), um oficial da polícia aposentado que inexplicavelmente fica preso no tempo e é obrigado a vivenciar repetidamente o dia de sua morte. Enquanto tenta evitar ser morto, ele percebe que existe uma razão maior para que tudo isso aconteça.

Prime Video: Boss Level