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Crítica: A Mulher na Janela – Netflix

Longa-metragem é adaptado do livro homônimo escrito por A. J. Finn

(Foto: Reprodução/Netflix)

Adaptado do livro homônimo e de grande sucesso escrito por A. J. Finn, particularmente, nunca li o material literário, mas ao ler a sinopse fica claro a grande inspiração de “A Mulher na Janela”: Alfred Hitchcock. Mestre do suspense e um dos diretores mais influentes do cinema até hoje, em 1954 ele lançou um de seus melhores trabalhos intitulado “Janela Indiscreta”, onde um sujeito (James Stewart) quebra a perna, e enquanto esta em repouso em sua casa, começa a observar os vizinhos pela janela. Até que um dia ele escuta alguém gritar e desconfia que um assassinato foi cometido.

Todos os filmes de suspense atualmente, principalmente longas que se passam quase todo dentro de um único ambiente, são diretamente, ou indiretamente, inspirados por Hitchcock. “A Mulher na Janela” é um desses projetos, e o próprio diretor Joe Wright não receia em assumir isso – já que em um take rápido no início temos uma cena do próprio “Janela Indiscreta”. A paixão da protagonista por filmes antigos também serve para ressaltar a intenção do longa em ser uma fita de suspense old-school, inspirada no estilo clássico hollywoodiano.

Obviamente, “A Mulher na Janela” não é um “Janela Indiscreta” nem Joe Wright é um Hitchcock – apesar de considerá-lo um excelente diretor responsável por filmes ótimos como “Orgulho e Preconceito” “Desejo e Reparação”. E em minha opinião, acredito que aqui Wright realiza um ótimo trabalho ao nos colocar de maneira imersiva, e convincente, na perspectiva da protagonista. Sua direção é ligeira e eficiente por nunca deixar o ritmo cair no marasmo. O filme é um pastiche nada original de outras tantas obras Hollywoodianas? Sim. Porém, a condução de Wright torna os clichês envolventes, e juntamente com a direção de arte e fotografia, temos um resultado claustrofóbico que colabora para um suspense simples, porém, eficiente em suas ambições.

“A Mulher na Janela” passou por muitas revisões, refilmagens e interferências de estúdio durante sua produção. Sessões testes levaram à mudanças, e tudo isso pode ter comprometido a visão original de Joe Write e da roteirista Tracy Letts. De forma geral, a trama é previsível e muitos elementos hoje em dia já não surpreendem mais – principalmente para quem gosta de assistir filmes do gênero.

Esta previsibilidade do enredo, infelizmente, tira o impacto necessário que uma obra do estilo precisava, principalmente por se tratar de um filme de reviravoltas e surpresas. No entanto, repito: se não fosse a direção de Joe Wright, o trabalho de produção e a atuação de Amy Adams“A Mulher na Janela” poderia ser muito pior. Não vá esperando ser um clássico ou um Hitchcock, pelo contrário, vá sem grandes pretensões, e ainda que não se surpreenda, aproveite as inventividades da direção que torna o desenvolvimento muito mais atraente.

The Woman in the Window/EUA – 2021

Dirigido por: Joe Wright

Com: Amy Adams, Gary Oldman, Julianne Moore…

Sinopse: Em “A Mulher na Janela”, Anna Fox (Amy Adams) é uma alcoólatra reclusa que passa os dias em seu apartamento em Nova York, assistindo a filmes antigos e observando seus vizinhos. Quando a família Russell se muda para o prédio da frente, ela passa a espionar o que seria a família perfeita, até testemunhar uma cena chocante que muda sua vida.

The Woman in the Window (2021) - Rotten Tomatoes