REPOSICIONAMENTOS

Desistência de Gomide provoca reviravolta no cenário eleitoral de Anápolis

Dois novos nomes, Professora Geli e empresário Márcio Corrêa, devem participar da disputa


Tainá Borela
Do Mais Goiás | Em: 27/06/2020 às 15:12:37

Ex-prefeito Antônio Gomide (PT) decidiu se afastar do pleito por motivos de saúde (Foto: reprodução/Internet)
Ex-prefeito Antônio Gomide (PT) decidiu se afastar do pleito por motivos de saúde (Foto: reprodução/Internet)

A desistência do deputado Antônio Gomide (PT) de disputar a Prefeitura de Anápolis mexeu com o cenário político do terceiro maior colégio eleitoral de Goiás e pode gerar uma polarização entre PP e MDB no pleito deste ano. O prefeito pepista Roberto Naves deve receber o apoio do governo do Estado e aproveitar a desistência de Gomide – até então favoritíssimo – para tentar se reeleger, enquanto os partidos de oposição tendem a se aglutinar em torno da candidatura do empresário Márcio Corrêa (MDB).

Amparado no prestígio político de Gomide na cidade, o PT vai lançar a candidatura da vereadora Professora Geli Sanches. Lideranças políticas afirmam que uma parte do grupo ligado a Antônio Gomide – e que não é filiada ao PT- tende a se aproximar de Márcio Corrêa. Nos bastidores corre a informação de que o empresário já estaria sendo procurado por algumas lideranças próximas ao ex-prefeito.

Um grupo de médicos e de empresários da cidade fechou apoio com a candidatura de Márcio – que ainda não lançou seu nome oficialmente. Fato é que ele recebeu o apoio do médico Samuel Gemus, que abriu mão da pré-candidatura a prefeito pelo PSDB e se filiou no MDB.

Outro médico que se comprometeu com a pré-candidatura emedebista foi Pedro Paulo Canedo, que é filho do ex-deputado federal Pedro Canedo e primo do governador Ronaldo Caiado.

Márcio agora tem que correr contra o tempo para se tornar conhecido junto ao eleitorado, já que nunca disputou uma eleição. No entanto, lideranças anapolinas gostam de lembrar que a cidade tem uma tradição histórica de eleger prefeitos “de fora da política”.

Geli, por sua vez, tende a unir os partidos de esquerda em torno de seu nome, mas a resistência ao PT na cidade pode ser um obstáculo. Vale lembrar que o presidente Jair Bolsonaro teve em 2018 mais de 70% dos votos dos anapolinos, um dos maiores índices do Estado.

A boa avaliação das administrações de Antônio Gomide funcionavam para ele como uma espécie de teflon pessoal contra os desgastes do seu partido. A favor de Geli conta, além da ligação com Gomide, a militância do PT na cidade e o apoio do deputado federal Rubens Otoni.

O cenário para Roberto Naves enseja um paradoxo: tem a favor de seu projeto a máquina administrativa e contra, a administração. Até o início do ano ele vivia grandes desgastes com os eleitores, mas aliados dizem que esta situação já foi pior. Ninguém, entretanto, sabe se sua avaliação melhorou a ponto de garantir uma reeleição, embora a saída de Gomide do páreo seja encarada como um alívio para Naves.

O pepista se aproximou do governo do Estado no início do ano, mas andou tendo alguns desentendimentos com o governador Ronaldo Caiado por causa das medidas de enfrentamento da pandemia da Covid-19. O DEM ensaiou nas últimas semanas lançar uma candidatura própria no município, explicitando o afastamento do prefeito com o Palácio das Esmeraldas, mas aparentemente recuou. Contudo, ninguém arrisca dizer qual será o nível de comprometimento do governador com a campanha em Anápolis.


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