Perto de tudo, longe de todos

Enquanto a tecnologia nos permite ir cada vez mais longe geograficamente, estamos nos fechando cada vez mais para o que o outro tem a nos mostrar.


mgadmin
Do Mais Goiás | Em: 05/07/2016 às 18:57:29


A vida moderna e suas contradições, vivemos tempos de velocidade e conectividade, ninguém pode negar. O problema é que, se antes éramos obrigados a nos integrar a pelo menos um núcleo social, para aprender e adquirir informaçoes, hoje isso já não é obrigatório mais. A internet, em tese substitui as pessoas nesse aspecto.

É perfeitamente possível que cada um viva a sua “vidinha”, dentro do mundo que escolheu, sem que exista nenhum tipo de troca com outros mundos. Pela internet posso conhecer a cultura dos aborígenes da Austrália, mas não há interesse algum em compartilhar algo com meu vizinho ou colega de trabalho.

A modernidade que nos uniu também tem nos separado, já que ao que tudo indica, a sensação de que seríamos finalmente livres de barreiras, era apenas uma ilusão.

E são barreiras dos mais variados tipos, a intolerância ao novo e ao diferente, a falta de interesse em realizar trocas de experiências, a indiferença quanto a possibilidade de compartilhar algo que seja bom para o outro.

Vivemos fechados em nós mesmos, em nossos trabalhos e rotinas, trancafiados pelos preconceitos e pela concepção de que só o que é nosso é bom.

Realmente conviver é algo muito trabalhoso e não existe um aplicativo que vá fazer isso por nós. Porém o que muitos não percebem é que a falta da troca de ideias, de opiniões e perspectivas tem nos deixado pobres demais. E é a troca que enriquece, não a simples imposição.

Com a certeza contundente de que tudo que pensamos está correto sem nunca ter ouvido um argumento que nos contradiga seguimos cheio das nossas convicções frágeis. Perdemos a possibilidade do aprendizado pela preguiça de ouvir o outro.

Nunca foi tão fácil viajar pelo mundo, mas nunca foi tão difícil encontrar alguém que de fato queira aprender com ele e não só olhar e tirar fotos. Difícil era imaginar que quando nos deparássemos com portas abertas, seríamos nós mesmos os primeiros a corrermos para fecha-las.


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