Ainda bem! Pra quem ?

Repetimos diariamente o "ainda bem" com a esperança de que exista algo que minimize o quão refém nos tornamos da violência.


mgadmin
Do Mais Goiás | Em: 27/06/2016 às 18:15:28


Existem duas opções, continuar batendo na mesma tecla ou parar de falar. Às vezes a vontade é parar de falar e se conformar, já que muitos ainda dirão que quem causa a sensação de terror são os que continuam falando sobre a violência.

Mas quando você se pega pensando que poderia perder pessoas tão amadas, assim como muitas outras pessoas já perderam, o silêncio se torna pesado demais.

Estamos anestesiados, todos os dias ao vermos as notícias que escorrem sangue uma atrás da outra, só conseguimos pensar, “ainda bem”.

Ainda bem que levou o carro mas tinha seguro, ainda bem que roubaram todo o estoque da loja mas não feriram ninguém, ainda bem que foram apenas alguns golpes mas ela sobreviveu, ainda bem que os bandidos não foram tão cruéis, ainda bem que não morreram todos, ainda bem que não foi comigo. Mas ainda vem.

Vai vir, pois a violência não anda escolhendo vitima, nem horário,” cor, credo ou classe social”. E essa justificativa de que os bens materiais podem ser recuperados é um grande paliativo pra quem é OBRIGADO todos os dias aceitar que a qualquer momento pode ser roubado ou assassinado.

Além do mais mesmo que sejam apenas bens materiais não é só isso que é levado. Depois de sermos roubados, assaltados a mão armada, perdemos bens que conquistamos com nosso suor, levam também nossa esperança.

Esperança de um dia viver em um País/Estado/Cidade seguro. O sentimento de que vale a pena trabalhar todos os dias, construir um legado, pensar no futuro.
Tudo isso se vai quando se passa a ter a certeza de que a qualquer momento, podem levar tudo de você.

E é tudo mesmo, desde os bens materiais, ate a sua integridade física e psicológica ou as pessoas que você mais ama.
Exagero? Quem me dera fosse. Mas nós nos condicionamos a entender que “ainda bem” e paramos de exigir o que é direito de qualquer cidadão, viver sem medo. Temos que sair desse torpor e nunca mais colocar na mesma frase um crime e a palavra “bem”. E isso só depende de nós.


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