A demora pode transformar o bem em mal

Um possível tratamento para o câncer passa por décadas sem ter sido testado.




 

O bem feito de modo errado pode se tornar mal. Muito falou-se sobre a “pílula do câncer”, que na verdade são cápsulas contendo uma substância chamada fosfoetanolamina. É obvio que o paciente portador de uma doença tão grave como o câncer buscará todo e qualquer meio que eventualmente possa lhe ajudar na cura da doença.

Contudo o que vem acontecendo no Brasil é quase um uma aberração “jurídico-científica”. Um pesquisador da USP professor aposentado Gilberto Orivaldo Chierice, foi quem iniciou as pesquisas com a substância no Brasil. Essa substância fora distribuída sem testes desde então.

A ANVISA justifica que não há como legalizar a substância sem que os devidos testes sejam realizados. Com essa informação surge outro questionamento, se a substância era distribuída pela USP há quase 20 anos, por qual razão não foi testada ate hoje ?

Segundo Gilberto Orivaldo Chierice, por 4 vezes ele tentou iniciar os testes da substância através da ANVISA, buscando ainda hospitais públicos para isso e não conseguiu prosseguir com os testes.

É o tipo de situação que só encontra razões pra acontecer, em um país como o Brasil em que não há incentivo a pesquisa. E não é somente o incentivo de modo financeiro, mas um terreno fértil pra que os profissionais que se interessem possam realiza-lás.

Entretanto, como tudo que tem acontecido na atualidade, a notícia de um medicamento que pode reduzir tumores malignos de maneira muito mais eficiente que os demais medicamentos existentes, “viralizou”.

Enquanto não nos damos conta da importância do tema, milhares de pessoas tentam a via judicial para ter acesso a essa substância, que não se sabe ao certo se possui benefícios ou não. Os juízes que não possuem conhecimento técnico para avaliar essa situação ficam entre o direito de todos os cidadãos a terem acesso a saúde e o dever do Estado de garantir a segurança das substâncias comercializadas.

Muitas pessoas ao conseguirem a fosfoetanolamina, abandonam as terapias convencionais. Esperançosas por ouvirem relatos positivos de outros pacientes acabam por acreditar na eficácia do medicamento sem que haja qualquer comprovação técnica.

É evidente que se a substância pode ser uma alternativa para a cura do câncer ela deve ser testada. Mas liberar a venda de uma substância testada apenas em camundongos é na verdade colocar em risco a vida das pessoas. É um dilema em que todos saem perdendo, já que os pacientes não podem esperar, o judiciário não sabe como julgar, os médicos não podem confiar e os governantes como sempre, não fizeram nada para ajudar a população.


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