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O que podemos aprender com a “greve” dos caminhoneiros?

Para alguns greves, para outros um movimento organizado por empresas, no final o que fica claro é o grande abismo que o país precisa enfrentar se quiser de fato organizar "a casa".


Nycolle Soares
Do Mais Goiás | Em: 25/05/2018 às 12:11:47


A palavra greve está entre aspas, pois no caso do movimento que está acontecendo no Brasil, muitos dos motoristas que estão envolvidos são profissionais autônomos e por isso não poderiam estar em greve conforme a definição técnica do termo, que se aplica a trabalhadores vinculados a empresas. Em outro ponto existe o questionamento se o movimento não seria um “Locaute” que é a paralisação dos trabalhadores por determinação das próprias empresas, o que seria ilegal.

Então melhor nos referirmos ao movimento como paralisação. A paralisação ao contrário do que possa parecer não diz respeito apenas ao alto custo dos combustíveis no Brasil. Isso é apenas o sintoma. E como tudo nesse país tentamos encontra soluções medicando apenas a parte do problema onde doí.

A paralisação é a gota d’agua de um processo que vem se repetindo há anos. Temos um país que gasta demais e gasta errado. O gasto errado não acontece apenas com a corrupção, ele acontece com um formato de governo que emprega pessoas demais, que proporciona regalias demais para aqueles que estão no poder, que opta por realizar obras que muitas vezes não vão obter o retorno necessário e gasta principalmente em decorrência de um modelo de governo em que o Estado é obrigado a arcar com os prejuízos de vários setores.

O governo já socorreu as montadoras, o setor energético, subsidiou as empresas de eletrodomésticos e desde sempre banca os prejuízos da Petrobrás. Quando finalmente a nossa estatal responsável pelo fornecimento de combustível tentou se colocar em uma posição condizente com o mercado mundial, a conta veio e ninguém quer pagar.

É preciso que o brasileiro entenda que ou ele quer um governo que segure os valores dos combustíveis (por exemplo) com dinheiro do seu caixa custe o que custar ou ele quer um governo que tente se livrar de anos de prejuízos ocasionados por escolhas erradas. Combustível com preço subsidiado e um governo que busque equilíbrio nas contas públicas, é o famoso “os dois não dá”.

O olhar raso para um questão profunda é que muitas vezes nos faz cair em contradições. Existem outros problemas que emergem junto a questão do preço dos combustíveis, como a ausência de uma malha ferroviária, as próprias condições de trabalho dos caminhoneiros no Brasil que precisam todos os dias se arriscar em estradas em péssimo estado de conservação, ou estradas quase inexistentes como as que estão no Norte do país.

No centro de tudo isso existe um Governo que não para de gastar, não se interessa em reformas absolutamente cruciais como a reforma política e tributária, já que não quer perder a quantidade de vagas no governo e não quer perder receita para mantes os privilégios.

Em outra ponta fica claro que para reformas como a trabalhista e da previdência a ânsia por realizá-las é muito mais latente e os esforços mais contundentes, já que as benesses daqueles que estão no poder não correm riscos quando se altera apenas os direitos que estão ligados diretamente a vida dos cidadãos “comuns”.

Talvez o maior aprendizado que a paralisação pode nos trazer é o de que não existem respostas fáceis e soluções obvias (o que já deveríamos tem aprendido há tempos). Reduzir impostos nesse momento é aumentar a dívida do governo e nos empurrar de volta para a crise, que nem se quer dá pra saber se já tínhamos saído dela de fato. Manter o custo dos combustíveis conforme o preço de mercado pode sacrificar a população de um modo quase insuportável. Por isso pensar em um país de modo global e entender o quanto economia e política precisam andar juntas é a única resposta clara que tempos nebulosos como os nossos pode trazer. Milagres não existem, muito menos salvadores da pátria.

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