THIAGO RANGEL

Professor que sugeriu reforço na quarentena em Goiás a Caiado vira alvo de ataques

Docente despertou a ira de comerciantes ao sugerir que, sem medidas duras, coronavírus poderia matar até 18 mil em Goiás


Alexandre Bittencourt
Do Mais Goiás | Em: 30/06/2020 às 15:11:32

Professor Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás (UFG)
Professor Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás (UFG)

O professor Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás (UFG), virou vítima de discurso do ódio nas redes sociais desde que participou, na manhã de segunda-feira, de uma videoconferência organizada pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) para tratar dos novos passos na política de combate ao coronavírus em Goiás.

Thiago virou alvo porque sugeriu ao governador medidas mais duras de isolamento social e restrição ao funcionamento do comércio, em face ao risco de haver até 18 mil mortes causadas pelo coronavírus se o poder público não tomasse providências urgentes. A sugestão de estabelecer uma quarentena intermitente para o comércio foi acatada pelo governador, o que deixou comerciantes revoltados. Bastou para que Thiago virasse alvo. 

Na manhã desta terça, a Diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg) divulgou nota em que defende o professor, cobra responsabilização administrativa, civil e criminal aos autores das ofensas e critica a inércia do poder Executivo no combate à pandemia. 

Confira a íntegra da nota: 

A Diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg-Sindicato) manifesta seu total repúdio aos ataques sofridos pelo professor Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Desde a última segunda-feira (29/06), quando apresentou um estudo que estima um colapso hospitalar em Goiás no mês de julho, o docente vem sendo atacado nas redes sociais e apontado como responsável pelo “futuro das famílias”.

O estudo apresentado por Thiago alerta para a necessidade dois mil leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A pesquisa também estima que 18 mil mortes causadas pelo novo coronavírus (Covid-19) podem ser registradas até setembro em Goiás.

O Adufg-Sindicato não aceita os ataques e defende que os responsáveis respondam nas esferas administrativa, civil e criminal. Mesmo diante da inércia do Governo Federal, do Governo do Estado e de alguns municípios no combate à pandemia, professores de universidades públicas de todo o Brasil têm trabalhado incansavelmente em diversas frentes de atuação para diminuir os impactos do vírus no País. É visível que representantes das três esferas do Poder Executivo negligenciaram o impacto que o coronavírus causaria nas áreas de saúde e economia. Diversas medidas deveriam ter sido tomadas já no início da pandemia, mas, por omissão, foram deixadas de lado. Dessa forma, o sindicato defende que docentes e pesquisadores tenham tranquilidade para a realização de suas ações no enfrentamento à doença.

Thiago Rangel atua no Instituto de Ciências Biológicas (ICB). Foi o primeiro professor da UFG a ter um artigo publicado na revista norte-americana Science. No combate à pandemia, certamente ajudou a salvar milhares de vidas, uma vez que faz parte do grupo responsável pela implementação de um modelo de simulação epidemiológico, que se vale de métodos matemáticos e computacionais e geram projeções temporais da expansão da Covid-19. Esse trabalho serve para subsidiar a tomada de decisão em saúde considerando o atual cenário da pandemia no Estado de Goiás.

O Adufg apoia incondicionalmente os professores e pesquisadores das universidades federais goianas, que estão absolutamente comprometidos com a ciência e com a busca de soluções para o enfrentamento da pandemia. O sindicato também reafirma seu compromisso com a missão de incentivar, disseminar e compartilhar o trabalho desenvolvido pela comunidade acadêmica no sentido de fortalecer a luta que as universidades têm travado na linha de frente de combate ao coronavírus.

Goiânia, 30 de junho de 2020.
Diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg)


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