Eleicoes

Politicamente correto soa falso

Candidato tem que ter opinião formada sobre os assuntos que estão em debate.


mgadmin
Do Mais Goiás | Em: 12/07/2016 às 22:16:57


Waldir Soares lidera as pesquisas para prefeito de Goiânia. Questionado por este jornalista sobre o uber, ele responde que e um legalista. No que este jornalista se sente no direito de dizer que o candidato é contra o serviço, uma vez que ele é irregular, é ilegal. O candidato retruca que não é bem assim, que precisa regulamentar. Conclusão: o candidato pode ter ficado mal com os taxistas, que são regularmente registrados para fazer o serviço de transporte de passageiros em veículos, ao admitir a concorrência. E pode ser ficado mal com os motoristas do uber, pois, inicialmente, tomou partido dos taxistas. O problema é que político em campanha não quer se comprometer. Fora dela, também não.

Este é um defeito da sociedade plural em que vivemos. Claro que esta mesma sociedade vem superando, a duras penas, o desafio de respeitar o direito das minorias, colocar em prática ações de inclusão e que isso é mais do que necessário nos dias atuais. Mas é uma sociedade que também se sente incapaz de impor limites e de estimular as pessoas a terem posições bem definidas. Isso vai muito além de repetir o que é aceito na opinião pública.

Waldir é um exemplo. Grande parte dos candidatos tem o mesmo comportamento. Ninguém quer se desgastar, como se diz no jargão político. O problema é que se criou uma casta e, junto com ela, um mundo bem diferente do cotidiano do cidadão comum.

Um dos desafios dos candidatos nesta eleição é propor modalidades de real participação popular. Isso quer dizer espaços onde se possa discutir problemas e encontrar soluções. A própria gestão de Paulo Garcia tem feito isso, em alguns momentos. A ciclovia da T-63 será sempre obra incompleta, pois há uma tubulação da Saneago no Parque Anhanguera e o viaduto no cruzamento da Avenida 85 que não comportam o equipamento. Para a tubulação, a solução encontrada é derrubar as muretas de proteção e construir uma plataforma por cima. No cruzamento com a 85, os ciclistas vão dividir espaço na faixa exclusiva dos ônibus. Tem tudo para não der certo. Mas foram fruto de discussões com os próprios ciclistas.

Voltando ao uber, deve-se fazer uma revisão geral dos serviços. Na França, a discussão é: quando vão acabar os taxis, já que os aplicativos dominam o mercado. Por aqui, não há nem pesquisa de satisfação para comparar taxis e uber, nem dados para achar uma solução. Quais são os carros que podem ser utilizados em cada serviço? Qual será a diferença? Quem vai recolher imposto? Quem define tarifas? Sim, porque este é um serviço público, em alguns casos literalmente explorado por força das permissões.

Discussões que devem ser travadas também com outros serviços que são de domínio do município, como o transporte coletivo, o serviço de água e esgoto e a regulamentação das feiras e do comércio de rua.

Ficar apenas no politicamente correto é adiar decisões mais profundas. Goiânia tem perdido tempo e oportunidades preciosos. Em alguns momentos, é necessário desagradar. Muito mais importante é enfrentar o debate público, claro e aberto. Somente quem tiver opinião muito bem formada sobre os temas é que vai poder comandar esse tipo de discussão. Politicamente correto, puro, soa falso.


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