Fim

Fim no Senado é o começo de outros caminhos

Pedaladas e decretos orçamentários são pouco para afastar uma presidente. Mas não é golpe. Este dilema é um bom retrato do Brasil.


mgadmin
Do Mais Goiás | Em: 30/08/2016 às 23:57:29


Depois da votação desta quarta-feira, a missão da classe política vai ser olhar para a frente e começar a construir algo de diferente. Na reta final do processo de julgamento da presidente Dilma Rousseff, há de ressaltar a qualidade e a brilhante eloquência da defesa de José Eduardo Cardozo. Da mesma forte, como o processo chama a atenção para o brilhantismo com a argumentação contrária de Antônio Anastasia.

Goiás se destaca mais pelo bizarro. Ronaldo Caiado se empenhou tanto que nem a morte da sogra o afastou das atividades de plenário. Mesmo plenário que recebeu a mãe de outro senador, Wilder Moraes para acompanhar este momento histórico.

Termina um falso debate, feito por cegos e surdos. Com todo o respeito que merecem a cegueira e a surdez. A edição dos decretos sem autorização legislativa e as pedaladas são muito pouco, realmente, para provocar o afastamento de um mandatário. Mas quem argumenta isso, esquece que o impeachment é um julgamento essencialmente político. E o momento é ruim, na economia e na política. Em uma situação onde a falta de apetite político de Dilma Rousseff foi componente fundamental para a composição deste quadro.

Ninguém tem ilusão de que os problemas do país estão resolvidos. Muito longe disso. Também não será o fim do mundo, como apregoam os arautos do golpe. Difícil imaginar em confisco de bens e direitos, que só seriam concretizados por uma desmobilização ainda maior do que a que já existe hoje.

A política precisa ser reinventada e estar mais próxima do cidadão comum. Executivo, Judiciário e Legislativa estão cada vez mais distantes daqueles que mantém essa estrutura funcionando.

As reformas adiadas há décadas devem ser enfrentadas, discutidas e resolvidas. O país do jeitinho está virando o partido do crime. Sem falsos ou verdadeiros moralismos, precisamos de uma formação mais firme da juventude que está vindo aí. Uma juventude criativa e que domina a tecnologia. Que precisa de mais educação, mais saúde, mais segurança, mais oportunidade e mais esperança. Pode parecer pouco. Mas pode ser o começo.

A história dos partidos e dos seus vultos não será apagada. Dilma e Lula serão assunto de conversas e estudos. O PT continuará existindo com o desafio de realmente se renovar.

É um momento de muitas incertezas. Mas é o ponto de partida para uma nova fase para muitas estruturas. Entender isso é fundamental para a construção de futuros.


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