Crise

Crise dentro e fora das celas

100 detentos foram mortos em uma semana. Chama a atenção. E não resolve o problemas.


mgadmin
Do Mais Goiás | Em: 07/01/2017 às 08:14:52


Mais de 100 presos perderam a vida nos últimos dias em presídios do país. Tem muita gente que está achando pouco. Em tese, há menos bandidos para perturbar. Claro que o buraco é bem mais fundo. Mais um problema não resolvido por nosso país.
Há necessidade de abertura de 250 mil vagas no sistema prisional. Isso não será resolvido pela próxima reunião ministerial em Brasília. Falta tempo, falta dinheiro, falta compromisso.

As nações que se desenvolveram tem resolvido a questão prisional em duas direções lógicas. A primeira é fazer com que o Estado cumpra o seu papel, oferecendo o básico, que é educação, saúde e segurança com qualidade suficiente para garantir a cidadania. Em cima disso, abre-se oportunidades para formar profissionais, que sejam comprometidos com suas causas e, claro, tenham a garantia de remuneração por isso. Claro que estamos falando de nações que não tem que manter programas para combater a fome, por exemplo. Estamos falando também de uma população que cobra que o Estado exista em função dela.

Paralelo a isso, tem que haver sim sistema prisional, para garantir a punição plena para quem romper as regras. Com garantias mínimas, igualmente de cidadania. A Holanda e os países escandinavos vem fechando prisões, por falta de clientes.

A histórica injustiça na distribuição de renda e os casos crescentes de corrupção vem aumentando o verdadeiro abismo político, econômico e social no Brasil. Isso tem que ser atacado. Com a oferta de oportunidades para crianças e adolescentes. Com a garantia de dignidade para a terceira idade.

O governo Temer, por exemplo, teria obrigação, nessa vertente, de retomar as discussões sobre os cortes de gastos com educação e o prolongamento da vida contributiva dos trabalhadores da iniciativa privada. Devia estar envolvido em uma discussão ampla e séria sobre as mudanças nas relações não só entre capital e trabalho, mas também entre o público e o privado, consagrando sempre o justo, o lógico e o racional.

Mas é exigir demais. Estamos assistindo a uma semana macabra, onde ainda vai haver gente comemorando a diminuição da população carcerária. Estamos longe, mas muito longe ainda, de avançar.

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