Kossa Aqui
Pablo Kossa
Do Mais Goiás

Políticos contrários ao uso de máscara são cretinos com voto

Mostrar orgulho da própria estupidez é capaz de levar alguém a um mandato

O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, disse que os eleitores só poderão votar se estiverem usando máscaras. (Foto: Ricardo W./Governo de Santa Catarina)

Sinceramente, nobre leitor do Mais Goiás, sinto um tanto de vergonha alheia de ter que tratar desse assunto. Mas não dá para fugir do meu ofício que é elaborar uma reflexão crítica das coisas comezinhas, e também das nem tão comezinhas assim, de nosso cotidiano. E se tem alguém comezinho nos dias de hoje é o político tapado que tem como bandeira pública combater o uso de máscara.

Deus do céu, de que esgoto fétido brotou esse tipo de gente? E de onde surgiu no seio social tantos do nosso povo dispostos a endossar a infâmia como pauta de mandato?

O uso de máscara como escudo contra doenças respiratórias e contaminações diversas está longe de ser novidade no universo científico. Na Nápoles do século XVII já víamos médicos protegendo as vias respiratórias com os recursos e conhecimento disponíveis na época.

Mas ainda não foi a partir dali que o utensílio se tornou hegemônico. Isso aconteceu no final do século XIX, quando o cirurgião francês Paul Berger foi o primeiro médico que temos registro a operar alguém usando máscara. Desde então, o objeto se tornou item obrigatório para se proteger e zelar do seu interlocutor.

Parecia que esse debate estava no passado, página virada em nossa escalada contínua do acúmulo de conhecimento. Achou que seria tão fácil? Achou errado!

Na terceira década do século XXI estamos aqui, lidando com figuras públicas lamentáveis que querem nos fazer retroceder décadas ou séculos. Uns, para o tenebroso dezembro de 1968, outros para o longínquo século XIX.

Esses cretinos têm a infâmia como bandeira política, a burrice como arma retórica, a truculência como meio de ação, o acinte como tática argumentativa e o despudor da própria limitação intelectual como motivo de orgulho.

Falta civilidade, inteligência, discernimento, conhecimento histórico, empatia e respeito institucional às conquistas democráticas. Falta cultura, falta arte. Por isso que o Brasil roda, capota barranco abaixo e se afunda.

Mas vai passar. A cretinice ainda há de voltar a ser motivo de vergonha.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Ricardo W./Governo de Santa Catarina