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Pazuello está com medo de ser preso e isso é péssimo para Bolsonaro

General sente-se abandonado pelo presidente e teme as consequências de seu depoimento à CPI

O depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello na CPI da Covid (Comissão Parlamentar de Inquérito), previsto inicialmente General Eduardo Pazuello
Aeronáutica omite destino de 132 caixas e 5 mil comprimidos de cloroquina(Foto: Reprodução / Pablo Jacob / Agência Brasil)

Parece que o general Eduardo Pauzello começa a perceber o tamanho da roubada em que se meteu quando topou ser ministro da Saúde de Jair Bolsonaro. Ele decidiu não comparecer ao interrogatório da CPI da Covid que estava marcado para amanhã (05/05). Dizem que está com medo de ser preso.

É, Pazuello… O tempo realmente fechou para aquele que sabia seu lugar na hierarquia, onde o presidente manda e o subalterno cumpre.

Texto da repórter Malu Gaspar publicado no O Globo informa que seu desempenho no media training do final de semana não foi satisfatório. Pazuello se enrolou para explicar algumas situações de seu trabalho no Ministério da Saúde. Ele estaria tremendo de nervosismo durante o treinamento. Se no simulado já estava nesse nível de tensão, imagine você como não ficará quando estiver de fato olhando no olhos dos senadores? Por isso que a justificativa para faltar ao depoimento marcado para amanhã não convenceu os parlamentares.

E aqui cabe abrir um parêntesis. Se um general da ativa do Exército brasileiro perde o controle emocional em um simples treinamento para ser inquirido em uma CPI, ainda bem que o Brasil não se mete em guerras, não é mesmo? Qual o nível de controle emocional dos nossos militares em situações limítrofes que invariavelmente as guerras trazem? Fica aqui a pergunta. Fecha parêntesis.

O ex-ministro amedrontado e se sentindo abandonado é péssimo para Jair Bolsonaro. Caso o general exploda e revele tudo que executou por ordem direta do gabinete presidencial, as coisas podem ficar bem feias para o capitão. A entrevista de Fábio Wajngarten deixou o general com a pulga atrás da orelha. Ele sentiu cheiro de fritura. E, no caso, é sua própria pele que está em contato com a chapa quente.

Pazuello pode ser para Bolsonaro o que Pedro Collor foi para Fernando Collor. Ou o Roberto Jefferson para José Dirceu e Lula. Por isso que o presidente não pode deixar o general na chapada. Ele tem potencial explosivo. E nada mais perigoso do que alguém com medo, magoado e que sabe de muito do que aconteceu nos últimos meses.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Reprodução / Pablo Jacob / Agência Brasil