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Não está clara a razão da suspensão da vacinação de adolescentes

Falta de transparência na comunicação do Governo Federal aconteceu durante toda pandemia e não seria diferente na vacinação

Despacho do STF permite a Estados e municípios decidirem sobre vacinação de adolescentes
Despacho do STF permite a Estados e municípios decidirem sobre vacinação de adolescentes (Foto: Claudivino Antunes - SecomAparecida)

Deu match bonito quando Jair Bolsonaro escolheu Marcelo Queiroga para ministro da Saúde. Não existe ninguém com perfil tão adequado quanto ao médico paraibano para a função que exerce. Ele reúne o que de melhor, sob a perspectiva bolsonarista, tinham os três nomes anteriores que sentaram na cadeira principal do ministério. Tudo reunido em uma pessoa só.

Queiroga tem a mesma graduação de Luiz Henrique Mandetta, ambos são médicos; tem o alheamento do mundo político de Brasília de Nelson Teich; e, principalmente, tem a submissão constrangedora do general Eduardo Pazuello a qualquer ordem desatinada de Bolsonaro.

Veja você o quão constrangedora é essa história da suspensão da vacinação de adolescentes contra covid-19. A ordem partiu de Bolsonaro. Queiroga acatou. Por quê? A resposta é confusa, não há uma determinação clara. A certeza é que bagunçou o planejamento da aplicação dos imunizantes.

Se a razão é falta de vacina e é preciso priorizar outros grupos sociais mais urgentes por ora perante os adolescentes, diga isso.

Se alguma pesquisa envolvendo alguma das vacinas indicou algo que não estava previsto, diga isso.

Se trata-se de uma orientação de um fabricante, diga isso.

O que a opinião pública demanda do Governo Federal é só uma coisa: verdade sem tergiversação. E também sem papo de doidinho de chapéu de alumínio. Mas talvez exigir isso da administração Bolsonaro seja muito fora da realidade.

A submissão constrangedora de Queiroga piora tudo. O médico engole qualquer tipo de sapo para permanecer como ministro. Um Pazuello sem farda e de jaleco. Naquele esquema do “um manda e outro obedece”.

Da forma como foi feito, sem transparência, estão certos os prefeitos e governadores que ignoraram a orientação do Ministério da Saúde e seguiram adiante imunizando os jovens. Se um argumento convincente tivesse sido exposto, seria possível avaliar de forma justa. Como foi feito, que se siga mandando a agulha com a bendita vacina no braço da molecada.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Claudivino Antunes – SecomAparecida