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Pablo Kossa
Do Mais Goiás

Mourão resolveu entrar em campo

Vice-presidente quer se mostrar viável para a hipótese de impeachment

Mourão diz que focos de incêndio em Rondônia estão 47º e não são queimadas
Mourão: "+47º e não são necessariamente uma queimada ou incêndio"

Começou. O vice-presidente Hamilton Mourão resolveu colocar a cabeça para fora da água. Em entrevista à CNN, o general da reserva não teve pudor em demonstrar seu descontentamento sobre como é tratado por Jair Bolsonaro. Mourão emula Michel Temer.

A cartinha em que o emedebista reclamava para Dilma Roussef de ser tratado como “vice decorativo” já está nos anais da política brasileira. Naquele momento, Temer disse à opinião pública que poderia contar com ele em caso de impeachment. Ele estava no aquecimento e toparia a missão, caso lhe fosse ofertada.

A reclamação de Mourão de que gostaria de ter um diálogo mais fluído e constante com o presidente diz muito. Tal qual a carta do Temer. A política precisa ser lida nas entrelinhas. E as nuances dessa entrevista do general gritam. “Não há conversas seguidas entre nós. As conversas são bem esporádicas. Faz falta, sim (os diálogos mais frequentes). Faz falta até para eu entender em determinados momentos o que eu preciso fazer”.

A situação de Bolsonaro está bem delicada. A insatisfação cresce, independente de classe social. O alto empresariado não está mais em lua de mel com o governo. A classe média está num mau humor danado. O pobre se vira como pode para garantir sua subsistência.

Cada um por um motivo específico, mas todos incomodados. Seja pela demora na campanha de vacinação ampla, geral e irrestrita, seja pelo drama vivido em Manaus, seja pelo fim do auxílio emergencial. E a sequência de 2021 não promete notícias alvissareiras, até onde a vista alcança.

Com Mourão verbalizando sem constrangimento suas diferenças e decepções com o presidente, uma atmosfera de crise vai se consolidando. Mas ainda há um longo caminho a ser trilhado.

O próximo passo do general será conquistar a confiança do Congresso. Nesse sentido, o trabalho de Temer era bem mais fácil, já que ele conhecia os corredores daquele ambiente como poucos. Não é o caso de Mourão, um neófito na política. Contudo, não há nada que não possa ser aprendido.

Bolsonaro que coloque as barbas de molho, pois Mourão está a fim de sentar na cadeira presidencial.