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Do Mais Goiás

Kajuru rompe com Bolsonaro. Será que presidente está preocupado?

Jorge Kajuru não aceitou ser responsabilizado por divulgação de áudio

Jorge Kajuru (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Antes de ser senador por Goiás, é preciso compreender que Jorge Kajuru é personalidade nacional. Sua trajetória no jornalismo lhe deu essa notoriedade. Já escreveu na Folha de São Paulo, já trabalhou em programas de abrangência nacional na Band, SBT e Rede TV. O Brasil inteiro o conhece.

Mas o Brasil o conhece quase que majoritariamente por meio de seu trabalho jornalístico com o futebol. Aqui em Goiás é que conhecemos com mais profundidade a forma como Kajuru lida com a política. E principalmente com seus desafetos.

Nos anos em que coordenou a Rádio K do Brasil, a cobertura política da emissora era ácida. Marconi Perillo havia acabado de vencer pela primeira vez para governador e enfrentou uma oposição ferrenha do radialista agora senador. Até hoje, Marconi e Kajuru não se bicam. Esse é o tipo de oposição a que o senador está acostumado a fazer: contundente, explosiva, beirando a inconsequência.

Em entrevista à Rádio Jovem Pan, Kajuru afirmou que rompeu com Jair Bolsonaro. Disse que não fará oposição, mas que a reconciliação seria impossível. Essa costuma ser a fala de quem faz… oposição.

O presidente o acusa de traição, o senador diz que que a publicização do áudio teve a anuência de Bolsonaro. Vai saber quem está com a razão. O fato é que o conflito está dado.

Será que Kajuru vai levar essa divergência às últimas consequências como fez no seu embate contra Marconi? Acho pouco provável. O Kajuru de hoje não é o de 20 anos atrás. Cabelos brancos, mandato de senador e vários processos nas costas deixam a pessoa menos impulsiva. O juízo chega.

Além disso, Bolsonaro não é Marconi. O ex-governador age como um político tradicional, com muita força e pressão nos bastidores. Já Bolsonaro conta com a súcia ensandecida das redes sociais, sempre pronta para achincalhar qualquer um que crie dificuldades para aquele a quem chamam de “mito”.

Para quem eu torço nessa briga? As décadas acumuladas nas costas e principalmente como dor na lombar não me permitem torcidas ingênuas. Nesse caso, fico igual ao DJ Jamaika: tô só observando.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado