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Do Mais Goiás

Governo deve explicação sobre compra de vacina 1.000% superfaturada

Aquisição da Covaxin em valor 10 vezes mais caro que o cobrado pelo laboratório tem todo jeito de corrupção grossa e pode ser um problemão nas mãos de Jair Bolsonaro

Após negar importação, Anvisa aprova terceira etapa de testes da vacina Covaxin
Companhia indiana afirmou que, apesar do fim do acordo, continuará a trabalhar com a Anvisa (Foto: divulgação/ Boca Maldita)

Um comerciante diz que o preço de um produto é U$ 1,34. Do nada, alguém decide pagar U$ 15 pelo mesmo. Você, leitor esperto, naturalmente vai pensar que tem rolo na história, não é mesmo? Sim, você e toda torcida do Flamengo. E é essa suspeita natural que surge quando nos atentamos aos valores gastos pelo governo federal na aquisição da vacina indiana Covaxin.

Em dezembro do ano passado, telegrama enviado pela embaixada brasileira na Índia informava que o laboratório Bharat Biontech cobrava U$ 1,34 por dose. Mais barato que uma garrafa de água, dizia o órgão em outra mensagem. Pois é. Em fevereiro, o Ministério da Saúde desembolsou U$ 15 por dose do mesmo produto. Não será fácil para o governo explicar a contabilidade que justifique pagar 10 vezes na dose.

Só para você ter uma ideia, a Pfizer e a Janssen cobravam US 10 por dose. E o governo reclamava que o preço estava salgado. Outro detalhe que não pode ser ignorado: a Covaxin ainda não teve seus estudos de fase 3 concluídos. Lembra-se daquela conversinha de que não teria dinheiro para vacinas sem comprovação atestada? Sim, era só isso mesmo, conversinha.

Vale ainda lembrar que todas as demais negociações de vacinas foram feitas sem intermediários. O governo federal estabelecia contato direto com os laboratórios. Somente nesse caso indiano que existiu a figura de um intermediário, a Precisa Medicamentos. Mais um fato que levanta suspeitas.

Jair Bolsonaro gosta de se jactar sobre suposta honestidade de seu governo. O caso de Ricardo Salles e a investigação de seu envolvimento com a exportação de toras irregulares por madeireiras criminosas já deixava o governo em saia justa. Agora, essa história superfaturamento nas vacinas pode ter efeito devastador. Não é só sobre prefeitos e governadores que pairam dúvidas.

A Covaxin pode ser o batom na cueca de Bolsonaro que a CPI da Covid tanto procura. Pode até ser que tudo seja devidamente esclarecido. Mas, até que isso aconteça, o miasma da corrupção emana pelo ambiente.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: divulgação/ Boca Maldita