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Pablo Kossa
Do Mais Goiás

Disputa ao Senado não será nada fácil para Henrique Meirelles

Histórico mostra que posições políticas de ex-ministro são sólidas como nuvem ao vento

Henrique Meirelles é um cara bem-sucedido. Sob qualquer perspectiva, é alguém que se deu bem na vida. Conquistou posições de destaque por onde passou, constituiu belíssimo patrimônio, é voz respeitada no debate público. Meirelles fez por onde para estar onde está: doses generosas de competência e pitadas mais que necessárias de sorte – e, como dizia Nelson Rodrigues, sem sorte você não chupa nem um Chicabon. Mas Meirelles também é alguém insatisfeito. Em vez de se regozijar com as glórias pregressas de seus 75 anos de vida, ele encarna a música do Ira!: “eu quero sempre mais”.

A novidade é que Meirelles se filiou ao PSD sonhando em sair candidato ao Senado por Goiás. Um desafio e tanto.

Meirelles perdeu a virgindade política ao se candidatar a deputado federal pelo PSDB goiano em 2002. Não era o que queria. O sonho era a vaga ao Senado. Marconi Perillo garantiu tal espaço na chapa e Meirelles se abrigou em ninho tucano. Só que a oportunidade de disputar o Senado não veio e ele teve que se contentar com a disputa pela Câmara dos Deputados. Foi o mais votado de Goiás. Mas nem sequer chegou a assumir o cargo.

Entre a eleição e a posse, recebeu convite de Lula para ser presidente do Banco Central. Meirelles abandonou os milhares de votos goianos para embarcar no projeto do partido de oposição ao PSDB que ele defendia.

Depois, se filiou ao então PMDB em 2009 sonhando em disputar o Governo de Goiás no ano seguinte. A cúpula do partido lhe garantiu a vaga. Meirelles tomou nova rasteira e esse espaço foi cedido a Iris Rezende.

Lembra-se que Meirelles quer sempre mais? Pois é, depois dessas tentativas frustradas, se filiou ao PSD paulista para disputar a prefeitura de São Paulo em 2012. Gilberto Kassab não permitiu e o sonho mais uma vez foi abortado.

Conseguiu pela primeira vez ser candidato a um cargo no Executivo pelo MDB em 2018, quando foi o nome do partido à presidência da República para suceder Michel Temer. Obteve votação pífia: somente 1,2% dos votos.

Na sequência, assumiu a Secretaria de Fazenda de São Paulo no governo de João Doria em 2019. E agora sonha em ser eleito senador por Goiás em 2022. Não será fácil. Primeiro, é preciso ser candidato, o que já é tarefa hercúlea.

No ano que vem, somente uma vaga está em disputa, a que pertence originalmente a Ronaldo Caiado e hoje é ocupada por Luiz do Carmo – que quer permanecer na cadeira.

Meirelles fala de aliança com Ronaldo Caiado para conseguir concorrer. Precisa combinar com Vilmar Rocha, que pretende vender caro o apoio do partido ao projeto de Caiado. Além disso, o governador prefere contar com o apoio do MDB ao seu projeto cedendo a vaga ao Senado para Daniel Vilela. Ainda temos figuras como Delegado Waldir (hoje distante de Caiado, mas nada irreconciliável) e Wilder Morais que querem esse mesmo espaço.

Com esse histórico de pular de galho em galho, o desafio para Meirelles não é pequeno. O mais provável é que não lhe sobre vaga e, caso queira realmente disputar cargo eletivo, saia para deputado federal. Ele não ficará satisfeito. Afinal, você sabe como Meirelles é: ele quer sempre mais.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Marcello Casal Jr – Agência Brasil