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Do Mais Goiás

Caiado quer manter distância segura de Bolsonaro

Governador sabe que presidente não é aliado confiável, só não pode dizer isso em público

A ruptura de Jair Bolsonaro Ronaldo Caiado parece ter chegado ao fim. Em Águas Lindas, o presidente disse que eles sempre foram e serão amigos. (Foto: reprodução)
Caiado com a mão no braço de Bolsonaro

O governador Ronaldo Caiado vive situação delicada em sua relação com Jair Bolsonaro. Ele sabe que parcela significativa do seu eleitorado é coincidente com a do presidente. Contudo, tem total consciência de que Bolsonaro articula a candidatura do deputado federal Major Vitor Hugo ao Palácio das Esmeraldas. Dar um chega pra lá naquele que se pretende concorrente, deixar Bolsonaro sem opção forte de palanque em Goiás e não melindrar o eleitor que tem simpatia por ambos é o desafio de Caiado. Duro desafio.

O governador já sabe que Bolsonaro é um belíssimo amigo da onça. O presidente gosta de submissão completa, vide o que aconteceu com Eduardo Pazuello e agora vive Marcelo Queiroga. Não é do feitio de Caiado topar esse tipo de relação. Só que o governador não tem, no momento, espaço para agir como faria em seus tempos de parlamentar. O Executivo demanda posturas muito distintas daquelas que o Parlamento permite.

Caiado sabe que Bolsonaro não lhe quer muito bem desde quando deu aquele pito necessário nos celerados que se aglomeravam na Praça Cívica no início da pandemia. A horda estúpida que ainda hoje ignora o vírus não engoliu o desprezo de Caiado por seus votos. Nem Bolsonaro esqueceu da cena do rompimento quando Caiado citou Obama: “Na política e na vida a ignorância não é uma virtude”. Essa frase ainda bate de um lado para o outro dentro da cabeça oca de Bolsonaro.

A estratégia eleitoral de Caiado para o ano que vem pode repetir 2018. Naquela eleição, o DEM apoiou Geraldo Alckmin. Aqui na terra do pequi, Caiado pouco ou nada citou o presidenciável que contava com endosso de seu partido. Não lhe prejudicou. Caiado foi eleito em primeiro turno. E também não dá para dizer que Bolsonaro dependeu de Caiado por aqui. Em 2018, o presidente teve mais de 57% dos votos em Goiás já no primeiro turno. Ou seja, os dois tiveram vida própria sem depender um do outro.

A pergunta que grita calada para Caiado: será que 2022 repetirá 2018?

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Marcos Corrêa/PR