Jorge Lima
Jorge Lima
Do Mais Goiás

O hábito do imediatismo afeta nossas vidas!

Talvez por isso não seja raro encontrar por aí crianças e adultos que colocam suas necessidades em primeiro lugar.

Foto: Divulgação

Nós, homens e mulheres do sertão, fomos criados na cultura da paciência. Temos desde cedo como hábito contínuo a paciência e a fé no futuro. Quando criança recebíamos dos mais velhos a promessa de presentes em forma de calçados e roupas novas e o encontro com o presente estava marcado para depois da colheita. Tínhamos com o que sonhar e manter esperança no futuro. O sertanejo é um sonhador, um especulador de ideias e um raro apreciador do presente em seus detalhes.

Isso significava que tínhamos que preparar a terra, esperar a chuva, plantar, esperar crescer a plantação e finalmente colher. Tinha terminado toda a espera e o exercício da paciência? Não! Ainda tínhamos que esperar um comprador, que nesse caso, era o “seu João” que passava de fazenda em fazenda comprando toda a safra de milho, arroz e feijão.

Quando finalmente tínhamos vendido a safra, íamos à cidade grande, fazíamos a compra dos presentes, mas somente em casa tínhamos permissão de abrir os presentes e com cara de surpresa nos alegrávamos com o presente que tinha sido prometido há mais de um ano.

Hoje na cidade grande as coisas estão mudadas até demais. Criança pede presente, pai e mãe larga a comida no prato e sai correndo para comprar roupas e brinquedos, saídos direto das séries de televisão ou dos desenhos infantis.

Tempos novos, modernos! Onde a arte da paciência e da espera se perderam num imediatismo sem precedente. Talvez por isso não seja raro encontrar por aí crianças e adultos que colocam suas necessidades em primeiro lugar: ninguém quer esperar mais por nada. Paciência é coisa do passado distante e o futuro é agora, e do meu jeito!