Recuar para avançar

Recuar para avançar é às vezes calar-se quando a garganta sangra de vontade de gritar

Uma das atitudes que mais repetimos quando somos mais jovens, é dar murros em ponta de faca.


Cacau Mila
Do Mais Goiás | Em: 27/04/2017 às 15:41:22

Foto: Nathália Mendes
Foto: Nathália Mendes

Uma das atitudes que mais repetimos quando somos mais jovens, é dar murros em ponta de faca. Lutamos batalhas inglórias, até descobrirmos que são inglórias. Insistimos em amores que mais machucam que fazem sorrir. Pegamos os caminhos mais apertados, espinhosos e difíceis. Sabe-se lá porque, escolhemos percorrer as estradas mais difíceis, talvez na ilusão de que há alguma redenção no sofrimento, ou que reinventaremos a roda e mostraremos que todos os outros que vieram antes de nós estavam errados e nós, corretos.

Gosto da ousadia juvenil. Ela move o mundo, traz debates a tona, questiona conceitos, coloca em cheque certezas. Mas, a medida que os anos vão passando e a maturidade vai chegando, é necessário ressignificarmos o sentido de algumas glória. Nem sempre ganhar significa não perder. Nem todo sacrifício é inteligente. Nem toda luta necessita necessariamente de força.

Recuar pra avançar, uma amiga sempre costuma dizer. Recuar para avançar é às vezes calar-se quando a garganta sangra de vontade de gritar. Recuar é às vezes aceitar as regras do jogo e se inserir para poder se adequar, virar a mesa e garantir, no momento de ápice, que outros que vierem depois não precisarão pegar o mesmo caminho longo que você. Recuar é mudar de armas quando entendemos que algumas guerras sempre requerem mais sabedoria que força.

Para os que pulsam por resultados e contra as injustiças, de todas as espécies: de raça, de gênero, de desigualdades, recuar às vezes significa deixar doer. Deixar sangrar. Deixar sangrar até que nosso apego aos caminhos que nos levam sempre aos mesmos resultados e lugares, morram.

Não importa em qual área em que estamos inseridos na sociedade, há sempre muito a ser feito em todos os níveis e aspectos para que cheguemos em um nível de comunidade justa, honesta, empática e amorosa. Entender qual o nosso papel individual para a nossa felicidade e a felicidade alheia, significa também aceitar que muitas vezes para se fazer ouvido, no lugar do grito, é preciso o silêncio para perceber qual língua conseguiremos nos faremos entender com eficácia.


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