Interior

Bebê morre durante parto em hospital em Goianésia

Inquérito policial foi instaurado para apurar suposta negligência do hospital municipal da cidade




Um bebê morreu após complicações no parto na tarde de segunda-feira (16), no Hospital Municipal de Goianésia, a 170 km de Goiânia. O que era para ser o dia mais feliz da vida do jovem casal Flávio Conceição da Silva e Lídia Cândida da Silva, ambos de 22 anos, se transformou no mais triste e sombrio dia. O bebê Luiz Gustavo Silva Cândido, primeiro filho do casal, foi retirado sem vida, com lesões na cabeça, de acordo com o pai da criança.

O parto foi realizado pela obstetra Elbia Maria de Sousa, que também responde pela direção técnica no hospital.

“Estava tudo errado naquele hospital. Não tinha anestesista, só tinha uma médica de plantão”, informa, sob revolta Flávio Conceição. O pai do bebê conta que sua esposa chegou ao hospital às 8h, sentindo fortes contrações. “Não tinha como ser parto normal, era uma criança de 3,5 quilos e 49 centímetros”, completa.

A médica, sem amparo de anestesista ou equipe técnica adequada, resolveu fazer o procedimento normal, o que resultou em esmagamento da cabeça do bebê. A mãe, sem forças, chegou a desmaiar. Com a tragédia por acontecer, a médica resolveu chamar às pressas outro colega, que só pôde retirar já sem vida o bebê por meio de uma cesariana.

Parto é um procedimento de rotina da unidade, que chega a registrar uma média de 60 nascimentos por mês. “O mínimo que tinha que ter sido feito era uma anestesia. A cabecinha do meu filho saiu toda quebrada”, lamenta o pai.

À imprensa local, a médica Elbia Maria de Sousa, classificou como “uma certa fatalidade” o ocorrido. Ela admitiu a falta de pessoal para o procedimento. “Quando a mãe deu entrada no hospital eu era a única médica de plantão. A gente não tem médico de sobreaviso. Para trabalhar com obstetrícia é preciso ter uma equipe. Não é só o ginecologista. Precisa ter o anestesista à disposição, um neonatologista e um médico auxiliar”, informa. “Isso está dentro de um projeto que estou elaborando e passarei ao secretário de Saúde”, complementa.

Ainda de acordo com a profissional, a gravidez era ectópica rota, ou seja, uma gestação fora do útero. Ela contou com o auxílio de acadêmicos de medicina na tarefa. “Até brinquei com os internos: ‘será um parto bonito de vocês verem’”.

Posição da prefeitura

Em nota oficial, o secretário municipal de Saúde, Hisham Mohamad Hamida, disse que “a prefeitura municipal de Goianésia, por meio da secretaria de saúde, de forma consternada lamenta a fatalidade ocorrida nesta segunda-feira (16), que levou a óbito uma criança durante o trabalho de parto, porém, ressalta que foi dado todo o atendimento necessário e cabível pelo Hospital Municipal, por meio de ginecologista/obstetra, acompanhada de pediatra e auxiliar, seguindo o protocolo de conduta médica preconizado”.

No segundo parágrafo da nota, o secretário tece críticas à gestão anterior. “Lembra ainda que apesar de ter pego a saúde pública municipal sucateada, com salários de funcionários atrasados, fornecedores e prestadores de serviços sem recebimentos, à farmácia municipal de portas fechadas desde dezembro e outras situações que escancaram a fragilidade deixada pela gestão passada, todos os esforços necessários estão sendo feitos, a fim de mudar essa triste realidade”.

Caso de polícia

Após o velório do filho, Flávio Conceição procurou a Delegacia de Polícia (DP) e registrou boletim de ocorrência, acusando o Hospital Municipal de negligência no caso. O delegado Murillo Leal solicitou uma perícia e procederá a abertura de inquérito policial para apurar se houve crime no caso.

 

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