Saúde

Bebê de dois meses morre no Cais de Campinas e família aponta negligência

Os pais da criança alegam ter havido muita demora no atendimento e negam ter recebido diagnóstico de H1N1


Amanda Sales
Do Mais Goiás | Em: 05/04/2018 às 19:21:22

(Foto: reprodução)
(Foto: reprodução)

A pequena Wendy Oliveira Hosoyo, de dois meses, morreu na tarde desta quarta-feira (4) no Cais de Campinas, em Goiânia, após dar entrada na unidade no dia anterior com tosse e febre alta. A criança estava com suspeita de pneumonia e, segundo a família, houve negligência, uma vez que a criança aguardava um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e demorou a ser atendida.

A feirante Edilene Maria de Oliveira, de 32 anos, mãe de Wendy, conta que na terça-feira de manhã a bebê começou a tossir e havia sinais de fadiga e dificuldade para respirar. Preocupados, os pais levaram a filha ao Hospital Materno Infantil (HMI) por volta das 13 horas, onde após muita espera, a criança passou por uma triagem, na qual teve a temperatura aferida.

Após o atendimento, relata Edilene, a criança foi encaminhada para o Cais de Campinas, já que seu caso não foi considerado grave. Na unidade, Wendy foi avaliada por uma pediatra que preparou uma medicação para ser aplicada na veia e colocou a criança sob uso de oxigênio. “Nesse momento a médica já solicitou a UTI, pois já era caso de urgência”, afirma a mãe.

Até a liberação do leito, Wendy ficou na ala de pediatria do Cais e passou por dois exames, um hemograma e uma radiografia que apontou uma mancha no pulmão. Esse diagnóstico indicaria, segundo um outro pediatra apontou para Edilene, um caso de pneumonia, sendo ainda mais necessária uma vaga de UTI.

Na quarta-feira o pai de Wendy, William Shindy Hosoyo, permaneceu de plantão aguardando o funcionário responsável pela regulação dos leitos de UTI, que não estava presente no Cais no dia em que a criança deu entrada. Após longa espera, o responsável informou que a vaga ainda não estava disponível no sistema. Neste momento, segundo Edilene, a filha já havia piorado e chorava muito.

A criança não resistiu e faleceu na quarta-feira a tarde. Edilene disse que, apesar das especulações em torno da morte da filha, em nenhum momento ela ou o marido receberam diagnósticos de infecção pelo vírus H1N1. “Eu acredito que a demora de atendimento e para conseguir vaga de UTI mataram a minha filha”, desabafa a mulher.

Wendy foi enterrada nesta quinta-feira (5), em Goiânia. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que o material necessário para o diagnóstico da morte da criança foi coletado eenviado para Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO), mas não há previsão de emissão do laudo. A pasta prestou solidariedade à família e informou que “a partir do momento que foi inserida no sistema da Central de Regulação, as buscas por um leito compatível foram realizadas reiteradamente”.