Avó pede prisão de padrasto e mãe indiciados por deixar menina em estado vegetativo, em Senador Canedo

Criança foi agredida no dia 17 de fevereiro de 2020

Avó pede prisão de padrasto e mãe indiciados por deixar menina vegetativo, em Senador Canedo (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
Avó pede prisão de padrasto e mãe indiciados por deixar menina vegetativo, em Senador Canedo (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

A mãe e o padrasto de N. S. C. G., de 4 anos, foram denunciados por agredi-la, até que a menina entrasse em coma e ficasse em estado vegetativo. O caso teria ocorrido em Senador Canedo, em 16 de fevereiro de 2020. Porém, até esta quarta-feira (4), os estão em liberdade e a avó paterna da menina, Rejane Couto Gouveia, pede pela prisão de ambos.

À época, a Polícia Civil ficou sabendo do caso quase um mês depois. Primeiro, a mãe da menina negou que o marido tenha agredido a criança e disse que a filha apenas caiu durante o banho, mas depois confessou que foi ela a autora do crime. Hoje, N. vive em estado vegetativo, não anda e se alimenta por sonda.

Em entrevista ao Mais Goiás, Rejane contou que desconfiava que a menina era vítima de violência, já que ela já apareceu com roxos, com um furo na esclera (parte branca do olho) e dizia que o padrasto, que ela chamava de pai, a colocava de castigo virada para a parede. Rejane disse que tentou denunciar o caso, mas a avó materna da menina não concordou e ela acabou desistindo.

Rejane revela que ficou sabendo do caso apenas no dia 9 de março de 2020, quando a mãe da menina ligou para ela. “A mãe dela me ligou por volta de 17h, dizendo que a minha neta estava em coma. No outro dia pela manhã, eu e o meu filho, pai da N., fomos no hospital, ela estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Com a comoção do acontecimento, não tocamos no assunto. A avó materna apenas disse que nossa neta tinha caído no banheiro.”

Entretanto, no dia seguinte, Rejane foi ao hospital em que a menina estava internada. Lá, os médicos disseram que a situação era gravíssima e que a queda da própria altura não poderia deixar tantas fraturas na criança. Posteriormente, devido a suspeita de espancamento, o hospital enviou um e-mail ao Conselho Tutelar acerca do caso.

A avó, sem entender o que estava acontecendo, foi até o local. Lá, os conselheiros informaram que já tinham recebido denúncias anônimas de que o caso não se tratava de uma queda e sim de um espancamento. Rejane e o pai da menina foram até a Delegacia da Polícia Civil e registraram o boletim de ocorrência para que tudo fosse investigado.

Um exame de corpo de delito comprovou que a menina sofreu um traumatismo cranioencefálico incompatível com o a queda da própria altura. Segundo o delegado responsável pela investigação do caso, o casal foi indiciado por lesão corporal grave.

Segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO), foi oferecida denúncia, a fase de instrução processual já foi concluída (testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas, bem como os envolvidos). O processo está na fase de alegações finais do MP e da defesa, onde o juiz irá decidir se os réus são culpados ou não.

No decorrer do processo, a mãe de N. confessou que foi ela que agrediu a menina e que o marido não teve participação no crime. Entretanto, testemunhas disseram durante as audiências que foi o homem que espancou a criança. O Mais Goiás teve acesso a um áudio onde a mulher confessa que bateu na filha.

 

Cláudio Gastão da Rosa Filho, advogado de Rejane, conta que o casal já foi indiciado pelas lesões causadas na criança, mas ainda estão em liberdade. A reportagem entrou em contato com a defesa do casal, mas o advogado responsável não quis se manifestar sobre o caso.

A avó da menina conta que, desde que ela realizou a denúncia, vem sofrendo ameaças. “Eu sofri várias ameaças. Ano passado aconteciam via telefone. Agora, em março de 2021, eu estava no posto de saúde e sofri uma tentativa de atropelamento.” Cláudio afirmou que as pessoas que testemunharam contra o padrasto da criança também receberam ameaças do denunciado.

Recuperação

Quando a vítima foi agredida, ela passou pela Unidade de Pronto Atendimento (Upa) de Senador Canedo, foi transferida para o Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (Hmap) e depois para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), onde recebeu alta quase três meses depois, no dia dia 22 de maio de 2020.

Rejane conta que não tem condições de pagar médico particular e a neta faz acompanhamento apenas com fisioterapeuta e fonoaudióloga pelo programa Melhor em Casa, em Senador Canedo. “Pelo homens, não há muito o que fazer, somente um milagre para ajudar na recuperação”, disse.

Hoje, N. tem guarda compartilhada com a avó materna, paterna e com o pai.