Do Mais Goiás

Caso Mateus: Corregedoria da PM indicia capitão por lesão corporal grave

Augusto Sampaio foi autor da pancada que deixou estudante ferido na testa durante protesto em Goiânia no último mês de abril

A Corregedoria da Polícia Militar de Goiás concluiu na última sexta-feira (9), o inquérito que apura a agressão praticada pelo Capitão Augusto Sampaio com um golpe de cassetete contra o estudante Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, durante um protesto realizado no último dia 28 de abril na Praça do Trabalhador, em Goiânia. No inquérito, que agora será encaminhado à Justiça Militar, o capitão foi indiciado por lesão corporal grave, crime que tem pena prevista de um, a quatro anos de reclusão, e que pode culminar com a exclusão do oficial dos quadros da Polícia Militar de Goiás.

Durante 39 dias, a Corregedoria da PM, segundo o tenente coronel Denilson de Araújo Brito, responsável pelo inquérito, ouviu 26 pessoas, entre elas o capitão Augusto Sampaio. “Os depoimentos, as imagens, e o laudo médico, mesmo ainda não tendo sido concluído, já que o Mateus foi liberado, mas ainda não recebeu alta, fizeram com que chegássemos à conclusão de que o capitão deve responder por esse delito. O inquérito agora está sendo remetido à Justiça Militar, que encaminhará o mesmo para apreciação do Ministério Público, que é quem oferecerá, ou não, a denúncia contra o oficial. Nossa parte na investigação termina aqui”, pontuou o tenente coronel.

O inquérito da PM é semelhante ao concluído na semana passada pela Polícia Civil, que também indiciou o capitão por lesão corporal grave e abuso de autoridade. “Nós não temos competência para apurar abuso de autoridade, já que esse é um crime de responsabilidade civil”, concluiu Denilson de Araújo Brito. Por determinação do comandante geral da PM, coronel Divino Alves, desde a época da agressão, o capitão Sampaio foi retirado do serviço operacional, e realiza apenas funções burocráticas dentro da corporação.

Internado em estado grave no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), Mateus Ferreira, que foi atingido na testa, se recuperou e 11 dias depois foi liberado, mas no último dia 18 de maio passou por um segundo procedimento para preencher com cimento cirúrgico uma perda óssea na testa, acima da sobrancelha. A previsão dos médicos é a de que ele não precisará mais voltar ao hospital.