Do Mais Goiás

Atendimentos pelo Imas são suspensos após falta de repasses para credenciados

De acordo com o presidente do Sindhoesg, suspensão segue até a próxima sexta-feira (2) e apenas serviços de urgência e emergência serão realizados

Diversos estabelecimentos de saúde credenciados ao Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (IMAS) já paralisaram atendimento aos servidores públicos municipais beneficiados pelo plano devido ao atraso nos pagamentos. A suspensão do serviço, que funciona em caráter de advertência, segue desta segunda-feira (26) até a próxima sexta (2).

De acordo com o presidente do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado de Goiás (Sindhoesg), José Silvério Peixoto, a decisão de paralisação surgiu entre um consenso alcançado em uma assembleia no sindicado. O total de dias de suspensão de serviço aumentou em relação a paralisação ocorrida no ano passado, que foi de dois dias.

“Cogitamos muitas coisas, até fazer uma paralisação de apenas um dia, mas lembramos que ano passado realizamos uma suspensão de três dias de serviço e não fomos atendidos. Por isso, apesar de saber de todo o prejuízo que essa decisão venha a causar aos beneficiados, decidimos paralisar por cinco dias para que mais lugares não deixem de atender pelo plano”, destaca o presidente.

Nesse período, apenas atendimentos de urgência e emergência serão realizados. Exames e cirurgias estão suspensos até a próxima sexta-feira (2/3). Em relação às consultas médicas, avaliadas pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego), a realização ou não ficará a critério dos médicos.

José Silvério explica que há lugares onde os débitos se arrastam desde 2016, mas o total de valores da dívida não foi divulgado. Um credenciado relatou ao Mais Goias que a dívida já ultrapassa os R$ 1,2 milhão. Durante a assembleia que decidiu sobre a paralisação, o Imas afirmou ao Sindhoesg que existe possibilidade de pagamento de todos os débitos até o próximo dia 20 de março. “Até houve um início de pagamento, mas o montante da dívida está muito alto. Os credenciados querem que os pagamentos ocorram de forma justa entre si e que os prazos sejam cumpridos”, conta.

Em nota enviada ao Mais Goiás na última sexta-feira (23). o Imas alegou que o prazo contratual para o pagamentos dos credenciados é de 90 dias e que esse período tem sido respeitado. O presidente alega que o prazo é o habitual para o funcionamento de um plano, desde que seja cumprido.

“A maioria dos planos cumprem seu contrato desta forma. Alguns realizam o pagamento em 60 dias. Não tem como deixar essa situação se arrastar com o faturamento e o fluxo de caixa existente no plano”, constata o presidente, que também lembra que uma outra assembleia será realizada no dia 21 de março – dia após o prazo que o Imas destacou como necessário para regularizar os pagamentos – para decidir o futuro dos credenciados e beneficiados pelo plano.

“Sabemos que já houve descontos nos contracheques dos beneficiados, mas a decisão foi para evitar que novos credenciados se desvinculem e que o atendimento fique mais escasso que já está. Essa decisão é de extrema importância, pois há lugares que não recebem há mais de um ano”, explica José Silvério.

Nota oficial do Imas sobre a paralisação:

A diretoria do IMAS informa que o prazo contratual para pagamento dos prestadores é de 90 dias, o que tem sido observado. Eventuais atrasos, no entanto, estão associados à burocracia inerente aos processos de pagamentos, que exige a apresentação de vasta documentação por parte do credenciado e cuja falta dela em qualquer fase do processo de pagamento exige, por disposição legal, que se abra diligências para completá-la, o que acaba atrasando os pagamentos.  O IMAS realiza, mensalmente, cerca de 1.300 pagamentos aos seus credenciados.

Outra particularidade nos pagamentos efetuados pelo instituto diz respeito aos processos indenizatórios, assim caracterizados aqueles cuja dotação contratual tenha excedido o valor estabelecido ou decorrentes da prestação de serviços sem a cobertura contratual. Nesses casos, a burocracia é ainda maior, exigindo uma auditoria dos serviços prestados e a concomitante abertura de processo para pagamento. Desde o início da gestão, o IMAS reduziu em cerca de 80% os pagamentos por essa modalidade e deve, até março, zerar todos os pagamentos pendentes. 

Como um dos maiores planos de saúde do País, o terceiro do Estado de Goiás, com quase 84 mil associados, é natural que ocorra o credenciamento e descredenciamento de prestadores, que entre pessoas jurídicas e pessoas físicas chegam a quase 2 mil prestadores