Do Mais Goiás

Associação de bares diz que haverá demissões caso lei seca entre em vigor em Goiás

Segundo a Abrasel, "todo um segmento não pode ser penalizado por conta de alguns que não cumprem as regras"

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Frederico Costa, afirmou nesta terça-feira (26) que o segmento terá que demitir funcionários caso a proposta de adoção da lei seca a partir das 22 horas, apresentada pelo governador Ronaldo Caiado (DEM), entre em vigor no Estado. Segundo o diretor, bares e restaurantes são os estabelecimentos que seguem os protocolos de prevenção contra a covid-19 de forma mais correta e não podem ser “penalizados por conta de alguns que não cumprem as regras”.

A proposta de estabelecer um esquema de lei seca (proibição da venda de bebidas alcoólicas) a partir das 22h nos bares, restaurantes e similares em Goiás foi levantada por Caiado numa reunião virtual com prefeitos e gerou polêmica entre empresários desse ramo comercial. Para Frederico, os estabelecimentos sofrerão um grande impacto negativo com os efeitos da norma, caso ela entre em vigor, o que refletirá no fechamento de vagas.

“Nós não podemos penalizar todo um segmento que está preparado, que está fazendo um trabalho consciente de retomada, por causa de um, dois, às vezes um pouco mais, que não estão cumprindo as regras. Com certeza haverá impacto. Havendo prejuízo ao empresário, a mão de obra passa a pagar por isso”, afirmou o diretor da Abrasel.

O Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro do Estado de Goiás (Sechseg) também manifestou descontentamento com a sugestão do governador, que depende da aprovação dos prefeitos de cada município. Em nota divulgada hoje, o Sechseg declarou que “tem clara certeza que essa medida irá prejudicar estabelecimentos como bares, restaurantes, hotéis, motéis e distribuidoras de bebidas”.

“Com isso, várias casas poderão ter grandes prejuízos financeiros e acabar demitindo funcionários. No ano passado, por sete meses, o governo do estado não ofereceu nenhuma assistência para os trabalhadores. Foram mais de 12 mil demissões no setor e agora ele não está pensando em cada trabalhador ao querer implantar a lei seca”, pontuou a entidade.

Maioria dos prefeitos é a favor da norma, diz Caiado

Após se reunir com os gestores municipais na última segunda-feira (25) e recomendar a implementação da lei seca, Ronaldo Caiado lançou uma espécie de enquete interna para avaliar o nível da norma. Conforme o governador, 97% dos prefeitos se posicionaram a favor da nova restrição.

Um novo decreto, com as condições previstas para cada tipo de estabelecimento, deverá ser publicado nesta noite. Todavia, na reunião de ontem, o governador lembrou que cabe aos prefeitos – e não a ele – assinar decretos com este teor. “Quem dá alvará de funcionamento são as prefeituras”, disse Caiado. “O que for deliberado pela maioria é o que vou acolher.”