DECRESCENTE

Associação criada por padre Robson contrata auditoria para analisar últimos 16 anos

“É isso o que queremos e precisamos para entender todos os processos da Afipe e podermos corrigir o que for necessário", diz Padre André Ricardo


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 29/09/2020 às 18:08:28

(Foto: Afipe)
(Foto: Afipe)

Por meio de nota, a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) informou que a nova diretoria contratou uma auditoria externa para fazer levantamento de todos os dados da entidade. “A Mapah Auditores Independentes começa a trabalhar em 1o de outubro e tem previsão de apresentar o relatório final em maio de 2021.” Segundo o texto, inicialmente, a análise abordará o ano de 2020, para depois seguir de forma decrescente até a fundação da Afipe, em 2004.

O padre André Ricardo de Melo, provincial dos redentoristas, que preside a nova Afipe, disse que a análise será profunda. “É isso o que queremos e precisamos para entender todos os processos da Afipe e podermos corrigir o que for necessário. Nossa intenção é dar total transparência a todos os atos e, para isso precisamos contar com uma análise independente.”

A auditoria financeira vai verificar registros financeiros, livros contábeis, além de realização e inspeções e obtenção de informações de fontes internas e externas, tudo relacionado com o controle do patrimônio e transações financeiras da entidade auditada, mapeando a origem e aplicações dos recursos. Haverá, ainda, análise dos procedimentos da entidade, e mapeamento das rotinas dos processos do ciclo de pagamentos (Compra, aprovação, conciliação, pagamento, contratação de serviços); da das atas de assembleias existentes; e auditoria e Revisão dos contratos de prestação de serviços.

Mais análises

Também será feita a verificação da existência de pedido e compras, mapa de cotação, aprovação; checagem de evidência de autorização (vistos e aprovação) por pessoas responsáveis para pagamento dos gastos; inspeção dos controles internos (nota e avaliação); análise da documentação suporte (nota fiscal/recibos), quanto a respectiva adequação; verificação da evidência de quitação para os pagamentos efetuados; análise da real necessidade do gasto para com os objetivos da Associação e Estatuto Social; e análise inerente a compra de ativo, bens que compõe o ativo permanecente, investimentos e participações em outras entidades.

E ainda: revisão e rastreabilidade das operações de repasses a outras instituições e empresas; auditoria das transações consideradas a título de adiantamento a fornecedores; análise dos adiantamentos de viagens e prestação de contas; verificação de evidência de que as mercadorias compradas foram realmente entregues; verificação de fraude e desvios nos processos de pagamento; avaliação dos critérios e alçadas para limite de pagamento; inspeção física dos ativos; avaliação dos gastos com a obra (novo santuário); análise das propriedades (cartórios e registros) e das sociedades (Junta Comercial); e análise de pessoas ligadas (funcionários, parentes, políticos, etc).

Na primeira etapa, haverá o planejamento, com diagnóstico, reunião e elaboração do programa de trabalho. Posteriormente, tabulação das informações (dados e documentos), check list dos documentos solicitados; e na terceira fase, a auditoria financeira – com análise e verificação documental, mapeamento do fluxo das origens e aplicações dos recursos. No último momento será entregue o relatório e será feita sua apresentação.

Operação Vendilhões

O padre Robson de Oliveira é investigado na Operação Vendilhões por supostos crimes de apropriação indébita, lavagem de capitais, organização criminosa, sonegação fiscal e falsidade ideológica junto a dirigentes da Afipe. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) apura desvios na ordem de R$ 120 milhões nas contas das associações.

O montante de repasses para as empresas de comunicação foram de R$ 456 milhões. Estes também são investigados, pois não teriam afinidade com o objetivo final da Afipe de evangelização.

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