Ocupação cultural

Artistas e produtores ocupam Sefaz e cobram R$ 31 milhões do Fundo de Cultura

Artistas denunciam que os repasses para o Fundo de Arte e Cultura referente aos anos de 2015, 2016 e 2017, ainda não foram feitos


Fabricio Moretti

Do Mais Goiás | Em: 06/12/2018 às 17:00:19


Artistas e produtores culturais na Sefaz (Foto: Reprodução/Whatsapp)
Artistas e produtores culturais na Sefaz (Foto: Reprodução/Whatsapp)

No início da tarde desta quinta-feira (06), artistas e produtores de Goiás iniciaram uma ocupação no prédio da Secretaria da Fazenda (Sefaz). O grupo cobra repasses do Governo de Goiás, que segue devendo os prêmios do Fundo de Arte e Cultura (FAC). Os ocupantes afirmam que só sairão do prédio da Sefaz mediante a solução do impasse.

Em nota divulgada pelos produtores culturais, informam que após várias reuniões e manifestações, o Estado de Goiás “segue devendo R$ 31 milhões referente aos prêmios do FAC e a 400 projetos culturais. O Estado abriu a seleção ao prêmio do Fundo de Arte e Cultura por meio de editais e criteriosa avaliação, publicando no Diário Oficial os aprovados”.

De acordo com o grupo, poucos agentes culturais iniciaram os projetos, porque não receberam o prêmio. “Com a ausência de informações sobre os repasses, aguardamos respostas sobre o desembolso financeiro. Desde julho deste ano, representantes da Sefaz e da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) realizaram várias reuniões e nada foi decidido”, esclarece a nota.

Dentre os acordos, frutos dessas reuniões, foram: o repasse de R$ 2,5 milhões em agosto, o que foi cumprido; o repasse de mais R$ 2,5 milhões em setembro, o que não foi cumprido. A partir de setembro, desembolsos semanais também não ocorreram.

Artistas afirmam que não sairão da Sefaz até terem uma resposta definitiva (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Cobrança

Malu da Cunha, integrante do grupo de produtores culturais de Goiás, confirma que ainda não foram atendidos. “Estamos dispostos a ocupar totalmente o local. Vamos dormir, comer, fazer tudo aqui na Sefaz enquanto não formos atendidos”. Malu ressalva que as reuniões feitas até hoje foram em vão. “Nada adiantou. Temos um grupo pelo qual nos orientamos, com mais de 400 artistas e estamos pedindo apoio para nossa classe. O governo tem que cumprir os pagamentos urgente”, disse.

Lucas de Souza, artista circense e professor, esclarece que até o momento só foram atendidos pelo superintendente da dívida pública, Silvio Vieira. “Ele é a maior autoridade no local no momento, pois o Secretário está viajando. Relatamos nosso histórico de luta e a dificuldade no recebimento dos repasses. Ele ouviu, anotou, mas disse não ser da área dele e não tem condições qualquer solução”.

O produtor cultural Pedro Fernandes, destaca que a Seduce já foi notificada sobre a ocupação. “No momento temos 15 pessoas na ante sala do gabinete do secretário, e mais 15 fora. Os que estão dentro saem só com uma solução. Comunicamos ao superintendente Silvio Vieira que não sairemos daqui até a liberação dos recursos”.

O Mais Goiás entrou em contato com a Sefaz, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno da Secretaria.