Funcionário fantasma

Arquidiocese de Goiânia divulga nota sobre caso que envolve Padre Luiz Augusto

Em nota, a Igreja de Goiânia defende que a situação seja investigada e pretende auxiliar no que for necessário.





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Após a grande repercusão, a Arquidiocese de Goiânia finalmente se pronunciou sobre o caso do padre Luiz Augusto Ferreira, suspeito de receber há 20 anos um salário de R$ 11.800,00 da Assembleia Legislativa de Goiás como servidor fantasma.

Em nota, a Arquidiocese alegou desconhecer que o sacerdote constasse como funcionário da Assembleia até que os fatos fossem divulgados pela imprensa. O texto afirma que a Igreja de Goiânia defende que a situação seja investigada e pretende auxiliar no que for necessário.

Leia a nota na íntegra:

“São de conhecimento público as notícias veiculadas pelos meios de comunicação social, nos últimos dias, a respeito do Revmo. Pe. Luiz Augusto Ferreira da Silva. Assim como as demais pessoas, a Arquidiocese de Goiânia tomou conhecimento dos fatos envolvendo o referido padre pela imprensa.

A Igreja de Goiânia reconhece e aprecia o trabalho social desenvolvido pelo Pe. Luiz Augusto. Ao mesmo tempo, manifesta adesão e respeito pelas leis do Estado e deseja que a situação, a ser investigada  pelos órgãos competentes, seja esclarecida e que a verdade sobre os fatos em questão possa ser conhecida.

Da sua parte, a Igreja se compromete a colaborar em tudo que for necessário para que o caso se revolva com justiça e caridade”.

O CASO
Suspeito de ser servidor fantasma da Assembleia Legislativa de Goiás, o padre Luiz Augusto Ferreira, de 54 anos, negou a acusação. Em nota, ele afirmou que já atuou cumprido a jornada de trabalho de seis horas, mas depois ficou à disposição dos parlamentares para “trabalhos sociais” e tirou licenças permitidas por lei. No texto, o padre não especifica o período em que cumpriu a jornada na Casa ou os trabalhos realizados.

Ainda de acordo com o comunicado, ele explica que do salário que recebe como funcionário de carreira, ele utiliza em benefício próprio apenas o valor referente à contribuição para o Ipasgo plano de saúde do funcionalismo estadual.

INVESTIGAÇÃO
O padre Luiz Augusto foi admitido em março de 1980 para o cargo de analista legislativo e recebe atualmente salário bruto de R$ 11,8 mil pelas atividades exercidas na Casa.

Segundo o deputado Helio de Sousa (DEM), presidente da Assembleia Legislativa, desde novembro do ano passado, o padre está sob licença-prêmio remunerada, benefício dado a servidores a cada cinco anos. O benefício tem prazo de três meses e venceu no dia 3 de fevereiro, quando foi renovado. Assim, o pároco só deve retornar à Assembleia em maio. Sousa, no entanto, não soube informar se Luiz Augusto aparecia para trabalhar e diz que vai apurar o caso.

JUSTIÇA
O Ministério Público de Contas (MPC) de Goiás vai investiga o caso. Segundo o órgão, nos últimos 20 anos, ele pode ter recebido cerca de R$ 2,6 milhões sem trabalhar. (Com o G1)

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