Temperatura

Áreas com muitos prédios e pouca vegetação criam as Ilhas de Calor Urbano e são mais quentes

Setor Bueno é apontado como o mais propício para o fenômeno, devido à grande quantidade de edifícios, pouca vegetação e impermeabilidade do asfalto. Calor decorrente dessas ilhas podem trazer problemas à pele


Larissa Lopes
Do Mais Goiás | Em: 21/09/2019 às 17:56:47

Setor Bueno, em Goiânia (Foto: Larissa Lopes/Mais Goiás)
Setor Bueno, em Goiânia (Foto: Larissa Lopes/Mais Goiás)

Áreas com muitos prédios, muito concreto e pouca vegetação são mais quentes. Isso acontece porque locais com maior aglomeração e verticalidade criam um fenômeno chamado de Ilha de Calor Urbano (ICU). Esse é o mesmo motivo pelo qual a diferença de temperatura nos setores Bueno e Jaó, em Goiânia, pode chegar a até 4º C, segundo o geógrafo Daniel Garcia.

Ou seja: bairros como o Jaó, com construções que têm maior espaçamento entre si e menos prédios, são mais frescos. Nem mesmo os parques de locais como Bueno e Jardim América conseguem reverter os efeitos das ICU. Daniel explica que o fenômeno é caracterizado pelas temperaturas mais altas em locais de super urbanização. Isso porque eles têm maior concentração de materiais como concreto, tijolo, cimento, e asfalto, que contribuem para uma sensação térmica mais quente.

Além disso, a quantidade de edifícios em alguns bairros resulta na falta de espaço para vegetação. Assim, a energia solar não é retida por árvores e as altas paredes impedem a ventilação.

“O setor Bueno, em Goiânia, principalmente entre Serrinha e T-11, é um exemplo de local mais propício a este fenômeno, devido a superconcentração de edifícios muito altos, ruas estreitas e falta de árvores”, afirma a conselheira e coordenadora da Comissão de Política Urbana e Ambiental do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU/GO), Maria Ester de Souza.

Segundo a urbanista, as ilhas de calor urbano são desencadeadas principalmente porque os edifícios são pensados de forma isolada, não levando em consideração o conjunto urbano. “Como cada prédio é pensado isoladamente, a quadra pode ter muito mais construções do que seria o recomendado, que favoreceria a ventilação natural”, explica. “Desta forma o conforto térmico desses lugares fica prejudicado”, explica.

Daniel ressalta que a “troca” de vegetação nativa por construções “aliada à maior emissão de dióxido de carbono dos veículos e à radiação solar contribui ainda mais para intensificação das ilhas de calor”, completa.

Para reverter a condição de bairros superconcentrados como o Bueno, Maria Ester afirma que a situação é quase irreversível. Contudo, ela diz que “se o asfalto não fosse tão impermeável, e as áreas de convivência dos condomínios tivessem mais áreas verdes”, o fenômeno poderia ser amenizado.

Chafariz do Parque Vaca Brava, no Setor Bueno. Nem o parque é o bastante para fugir do calor

Chafariz do Parque Vaca Brava, no Setor Bueno. Nem o parque é o bastante para fugir do calor (Foto: Reprodução Google Maps)

Menor aglomeração, mais vegetação, menor calor

Ao contrário do Setor Bueno, a urbanista aponta o Setor Jaó como um local com menor sensação de calor. “Pois além de estar próximo a uma área de preservação, ele não foi verticalizado”, diz.

Entretanto, a horizontalidade de um local não significa que ele está livre das ondas de calor, já que alguns conjuntos habitacionais também sofrem com a questão. “O Residencial Jardins Cerrado, por exemplo, também está propício às ICUs, pois o local teve ampla devastação e possui vários pontos que não têm uma árvore sequer”, explica a conselheira.

Áreas de preservação são menos quentes

Os parques existentes nos bairros com grande quantidade de edifícios não ajudam de forma efetiva na amenização da temperatura. De acordo com Maria Ester, ele pode até ser um ‘oasis’, mas o efeito não ultrapassa 500 metros ao redor. “Como o Parque Flamboyant, por exemplo. Na  Marginal Botafogo você já não sente nenhum efeito das árvores no local, devido à parede de edifícios em torno dele”, explica.

ICU na pele

O ICU é um fenômeno que pode trazer algumas consequências à pele, associadas ao calor. “Temos como exemplo o surgimento de miliária (brotoeja), piora da acne, oleosidade, micoses e desidratação”, explicam as dermatologistas Ana Flávia e Talita Teixeira.

Elas afirmam que a exposição contínua à poluição dos centros urbanos contribuem para o desgaste e envelhecimento da pele. “Ocorre um aumento de toxinas e radicais livres deixando-a  com aspecto envelhecido, opaca e áspera”, afirmam.

Para amenizar os impactos, as dermatologistas pontuam alguns cuidados:

– Evitar a exposição direta ao sol;

– Hidratação intensa;

– Evitar cigarro e bebidas alcoólicas;

– Bom higienizador de pele;

– Uso regular de protetor solar;

– Uso de hidratantes com ação antioxidante e antipoluição.

Contudo, “é muito importante que cada um destes itens sejam prescritos de forma personalizada”, alertam.

 

*Larissa Lopes é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Thaís Lobo