Do Mais Goiás

Após “sumiço de vacinas” em Goiás, Butantan alega uso incorreto de aplicação

Cidades goianas alegaram que estão recebendo doses com até 20% a menos do que o indicado nos frascos

O Instituto Butantan disse que não há falhas no processo de produção e armazenamento dos imunizantes, mas sim prática incorreta de extração durante a vacinação. (Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)
O Instituto Butantan disse que não há falhas no processo de produção e armazenamento dos imunizantes, mas sim prática incorreta de extração durante a vacinação. (Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

Após diversos municípios de Goiás e outros estados reclamarem que estariam recebendo doses de vacina contra Covid-19 até 20% do que o especificado nos frascos, o Instituto Butantan disse que não há falhas no processo de produção e armazenamento dos imunizantes. De acordo com o centro de pesquisa, o suposto menor rendimento tem ocorrido por conta de erros na prática da extração das doses durante a vacinação.

Em nota enviada ao Mais Goiás, o Instituto informou que cada frasco da vacina contra o coronavírus contém nominalmente 10 doses de 0,5 ml cada, totalizando 5 ml. Além disso, ainda é envasado conteúdo extra, aumentando para 5,7 ml de imunizante por ampola. De acordo com o texto, tal volume foi devidamente aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é suficiente para a extração de dez doses.

Segundo o Butantan, todas as notificações recebidas até o momento relatando suposto rendimento menor das ampolas foram devidamente investigadas. Em todos os casos apurados, o centro de pesquisa constatou “prática incorreta na extração das doses nos serviços de vacinação. Portanto, não se trata de falha nos processos de produção ou liberação dos lotes”.

Ainda conforme o Instituto, os profissionais de saúde devem estar capacitados para aspiração correta de cada frasco-ampola, além de usar seringas e agulhas adequadas, para não haver desperdício.

“É essencial que tais profissionais sigam as orientações e práticas adequadas, no intuito de evitar perdas durante a aspiração da vacina. Seringas de volumes superiores (ex: 3ml, 5ml), podem gerar dificuldades técnicas para visualizar o volume aspirado, uma vez que podem não possuir as graduações necessárias. Outro fator decisivo é a posição correta do frasco e da seringa no momento da aspiração”, diz o texto.

Revisão da bula

Na nota, o Butantan informou, também, que fará a revisão da bula da vacina Coronavac, no intuito de promover de forma ainda mais clara as informações relacionadas à forma correta de se realizar a aspiração das doses, adicionando inclusive um QR Code que irá direcionar para um vídeo demonstrativo do procedimento.

“O Instituto Butantan vem atuando juntamente aos gestores envolvidos na campanha de vacinação no intuito de orientar cada vez mais os profissionais responsáveis pelas aplicações das doses”, ressaltou.