Caso Cibelle

Após ser condenado, marido de ciclista morta na BR-060 é preso

Eduardo de Oliveira Francisco foi condenado a mais de 27 anos de prisão por mandar matar a esposa por questões financeiras e ciúmes


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 07/10/2019 às 19:23:21

Após 15 dias preso, marido condenado por mandar matar ciclista é solto pelo STJ (Foto: Reprodução/ Facebook)
Após 15 dias preso, marido condenado por mandar matar ciclista é solto pelo STJ (Foto: Reprodução/ Facebook)

O advogado Eduardo de Oliveira Francisco foi preso, na manhã desta segunda-feira (7), no Setor Village Veneza, em Goiânia. Ele foi condenado a mais de 27 anos de prisão por mandar matar a própria esposa, a ciclista Cibelle de Paula Siveira, de 31 anos, em 2015. O réu passou pro exames do Instituto Médico Legal (IML) e foi encaminhado para o Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia.

O julgamento que levou Eduardo à condenação foi em dezembro do ano passado e durou dois dias. A audiência foi presidida pelo juiz Lourival Machado da Costa, da 2ª Vara de Crimes Dolosos Contra a Vida. Também foi condenado Pedro Henrique Domingues de Jesus Félix, hoje com 21 anos, como o autor do disparo que vitimou a ciclista.

Cibelle Silveira foi morta no dia 30 de novembro de 2015, na BR-060, entre Goiânia e Guapó. Ela pedalava com Eduardo e mais três amigos pela rodovia. Ao se afastar por cerca de 20 metros do grupo, a bancária foi surpreendida por dois assaltantes, que deram um único disparo, que atingiu a cabeça da vítima. Eles fugiram sem levar nada.

A bancária foi socorrida pelos amigos e levada para o Cais Bairro Goiá. Porém, não resistiu ao ferimento e morreu na unidade de saúde. Dois dias depois, a polícia prendeu Pedro Henrique Domingues de Jesus Félix, com 18 anos à época. Em um vídeo gravado, o jovem disse que cometeu o crime para “levantar um dinheiro” e que teve ajuda de um adolescente de 17 anos.

Reviravolta no caso da ciclista

Dois meses depois do crime, a Polícia Civil (PC) recebeu o laudo cadavérico. Nele, foi constatado que a mulher apresentava diversas lesões pelo corpo. “O inquérito já havia sido concluído e remetido ao Judiciário e os dois autores haviam sido denunciados por latrocínio, mas, quando recebi o laudo cadavérico, vi que a vítima tinha lesões pelo corpo. O perito confirmou que as lesões não tinham nada a ver com a queda do dia em que ela foi assassinada. Então resolvi ouvir parentes e amigos, ocasião em que descobri que a Cibelle vivia sendo espancada e ameaçada de morte pelo marido”, relatou o delegado Thiago Martimiano, adjunto da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH).

Em novo depoimento, Pedro Henrique contou que havia sido contratado por Eduardo por R$ 30 mil para matar a bancária. O marido da vítima, porém, havia feito apenas o pagamento de R$ 5 mil, como entrada. O restante do pagamento seria realizado após a concretização do crime. Porém, segundo o jovem, como o repasse não teria sido feito, ele decidiu contar a verdade.

Após receber essas novas informações sobre o assassinato, o delegado solicitou outro depoimento do marido de Cibelle. Ele negou tudo. Como o inquérito já havia sido remetido para o Judiciário, o delegado encaminhou as provas para o Ministério Público de Goiás (MP-GO). O órgão, por sua vez, que entendeu que bancária foi vítima de homicídio e não de latrocínio.

Em novembro de 2017, Pedro Henrique foi denunciado por homicídio qualificado, oadolescente por participação no crime e Eduardo como mandante. A motivação seria interesses financeiros, porque a mulher possuía um seguro de vida alto. E ciúmes.