Artur Dias
Do Mais Goiás

Após rebelião, MP-GO irá visitar presídio de Aparecida

DPE também realizou visita, depois de conseguir uma liminar na justiça

Após rebelião, MP-GO irá visitar Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia
(Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) irá visitar o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia para avaliar a situação do local após a rebelião que aconteceu na última sexta-feira (19). A visita deve acontecer no final da tarde desta terça-feira (23), e foi acertada em uma reunião entre a área de coordenação Criminal do Centro de Apoio Operacional (CAO) do órgão e Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP).

De acordo com o promotor de justiça Bernardo Morais Cavalcanti, a visita tem o objetivo de complementar informações que o MP-GO já possui sobre o Complexo. “Queremos avaliar a situação presencialmente para complementar o material que o MP dispõe sobre a situação prisional”.

DPE só entrou com liminar

Além dos promotores, A Defensoria Pública do Estado (DPE) também realizou uma visita ao local no último sábado (20), um dia depois do motim. A ida dos defensores foi possível graças a uma liminar na justiça, já que, de acordo com a defensoria, os policiais penais não permitiram a entrada dos representantes.

No local, eles ouviram 11 internos, que relataram que muitos ficaram machucados e que dormiram ao relento depois da rebelião. Com base nos dados colhidos, a DPE entrou na justiça novamente, dessa vez solicitando a realização de exame de corpo de delito em dois dos 11 que foram ouvidos.

Perguntada sobre o motivo do impedimento da entrada da DPE, a DGAP informou apenas que a visita técnica foi realizada e que os representantes do órgão tiveram acesso ao que foi solicitado. A nota disse ainda que a Polícia Penal aguarda relatório com as notificações oficiais por parte da defensoria para que as providências sejam tomadas e as respostas sejam dadas.

OAB-GO também investigará o caso

A OAB-GO também pretende visitar o local. Em entrevista ao Mais Goiás, o  presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ordem, Roberto Serra da Silva Maia, afirmou que irá acompanhar a apuração do caso. “O que iremos fazer é chamar os órgãos responsáveis pela execução penal para que nos auxiliem nessa inspeção. Vários fatores podem deflagrar uma rebelião”.

O presidente afirmou ainda que a situação do sistema prisional em Goiás tem preocupado a ordem. “Não é de hoje que temos notícias de que o sistema prisional está com problemas sérios. Nós chegamos a fazer inspeções em janeiro no complexo. O local vai persistir no acolhimento de detentos. Se estava ruim, certamente ficou pior após a rebelião”, concluiu.

A rebelião

Os detentos acusam a administração da unidade de violação da cobal, com a retenção de alimentos levados pelos familiares. Eles chegaram a transmitir a rebelião ao vivo pelo Facebook. No vídeo, é possível ver um cenário de caos: colchões pegando fogo, detentos feridos e barulho de tiros.

Nos vídeos obtidos pela reportagem, os presos aparecem cobrando a substituição da atual direção da POG. Segundo eles, a administração da penitenciária teria vetado a entrada de alimentos para eles, permitindo apenas sabão e água.

“Isso aqui aconteceu por causa do diretor, ele quer oprimir “nóis”, “tamo” dando a resposta. Quis dar sabão pra gente comer. Tão dando tiro de verdade em nós. Também temos família. Cadê os Direitos Humanos? Só passam pano para estuprador, que come o filho dos outros. Estamos reivindicando os nossos direitos”, diz um dos detentos.

A rebelião acontece um dia após o assassinato do Vigilante Penitenciário Temporário (VPT), Elias de Sousa Silva, e da esposa dele, Ana Paula Dutra, nas proximidades do Complexo Prisional. A reportagem apura a possível relação que o evento de hoje pode ter com o crime.

Ao Mais Goiás, a DGAP afirmou que, por volta das 15h30, a situação já estava resolvida.