Cidades

Após protestos, menor apreendido por suposto plano de atentado muda de escola em Uruaçu

Adolescente de 16 anos, apreendido em Uruaçu, no último dia 17 de abril. Após as investigações, o atentado foi descartado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) e Polícia Civil (PC)


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 13/05/2019 às 15:28:08

Armas apreendidas pela Polícia Militar pertenciam ao pai de outro adolescente, que o menor apreendido não conhecia. (Foto: Divulgação/ PM)
Armas apreendidas pela Polícia Militar pertenciam ao pai de outro adolescente, que o menor apreendido não conhecia. (Foto: Divulgação/ PM)

Depois de protestos de pais e alunos do Colégio Estadual Alfredo Nasser, o adolescente de 16 anos, apreendido em Uruaçu, no último dia 17 de abril, decidiu não voltar à escola. Segundo informações da promotora responsável pela área de infância e educação, Daniela Hun, o menor optou por mudar de instituição porque tem visto mobilização por parte moradores locais para que ele não volte à unidade de ensino. O menino foi apontado como suspeito de planejar um atentado a tiros na escola em questão. Após as investigações, o atentado foi descartado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) e Polícia Civil (PC).

A polícia chegou ao rapaz por meio de uma denúncia da comunidade escolar. Os relatos eram de que o jovem publicava ameaças em grupos de estudantes nas redes sociais. Na residência do adolescente, os militares encontraram um planejamento com as etapas e materiais que seriam utilizados no atentado. “60 balas por arma, mirar na cabeça, finalização com faca, iniciar pelos servidores e finalizar com os alunos”, diz trecho das anotações. Ele também escreveu que usaria gasolina para incendiar o colégio quando a polícia chegasse.

 

 

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Raphael Neris Barboza, o atentado foi descartado e o adolescente não foi autuado. Segundo ele, não houve ato executório. “As coisas não aconteceram da forma como foi noticiado. Ele não é esse monstro que foi criado. Na verdade, não havia atentado. Para que ele fosse punido seria necessário execução mínima, o que não houve neste caso”, disse ao Mais Goiás.

Ainda segundo o delegado, a notícia espalhada de que o pai do menino possuía duas espingardas e um revólver calibre 38 é falsa. “Essas armas eram de outro adolescente e estavam trancadas em um cofre. Não há ligação, eles nem se conhecia”, afirmou.

À época, o estudante foi encaminhado para acompanhamento psicológico e psiquiátrico e continuará sendo observado. No entanto, conforme Raphael Neris, agora o acompanhamento não será feito em razão do suposto plano de atentado. “Ele é um menino superdotado, possui inteligência elevada. Então, será acompanhado por profissionais especializados, já que o colégio normal não consegue desenvolver as habilidades dele”, conta.

Conforme a promotora Daniela Hun, tanto o adolescente quanto os pais dele não querem que o menor volte a estudar no colégio Alfredo Nasser. “O garoto está traumatizado. A cidade é pequena e ele tem escutado muitas coisas. Na verdade, ele virou vítima da situação e está sendo banido pelos moradores”, comentou.

Na última semana, a escola ficou paralisada por conta de protesto de pais e estudantes que se declaram contrários à volta do menino. Cerca de 12 alunos chegaram a ser transferidos para outro colégio. “Entendemos a sensação de pânico e medo dos familiares, mas houve muita informação falsa. Chegaram a associar a foto de outro rapaz como ajudante do suposto plano de atentado. A situação foi bem menor do que foi apresentada. Foi uma brincadeira infeliz de um adolescente que possui uma inteligência acima da média”, concluiu.

O Mais Goiás tentou contato com o colégio Alfredo Nasser e com pais contrários ao retorno do menino, mas não conseguiu retorno até o fechamento da matéria. Os pais do menor também não foram encontrados.