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Após interferência de Bolsonaro, ações da Petrobras derretem mais de 16%

Antes mesmo da derrocada desta segunda, a Petrobras já tinha o pior desempenho entre ações de concorrentes globais, mesmo com o salto das commodities nos últimos meses

Castello Branco Após interferência de Bolsonaro, ações da Petrobras derretem mais de 16%
Antes mesmo da derrocada desta segunda, a Petrobras já tinha o pior desempenho entre ações de concorrentes globais, mesmo com o salto das commodities nos últimos meses (Foto: Reprodução / Agência Petrobras)

As ações da Petrobras derretem nessa segunda-feira (23) após o presidente Jair Bolsonaro indicar o general Joaquim Silva e Luna para a presidência da estatal, no lugar do economista Roberto Castello Branco. Pressionado por caminhoneiros pelos recentes reajustes no preço do diesel, Bolsonaro defende que a composição dos preços e reajuste precisa de transparência e previsibilidade.

Às 10h37, as ações preferenciais da Petrobras caíam 17,45% e as ordinárias recuavam 18,27%. Diversos bancos cortaram o preço-alvo para as ações da Petrobras e rebaixaram sua recomendação para a venda dos ativos.

Antes mesmo da derrocada de hoje, a Petrobras já tinha o pior desempenho entre ações de concorrentes globais, mesmo com o salto das commodities nos últimos meses, segundo reportagem do Valor Econômico de hoje.

Em dólares, até sexta-feira (19), as ações ordinárias da Petrobras acumulam queda de 10,51%, enquanto as preferenciais recuam 8,23%.

Para o Goldman Sachs, a decisão do governo de mudar a presidência da Petrobras é negativa porque aumenta as incertezas sobre a continuidade da venda de ativos, sobre as iniciativas de redução de custos e sobre o futuro dos preços de combustíveis.

O banco de investimentos UBS afirmou, em relatório, que considera dois pontos cruciais que precisam ser mantidos na Petrobras após a mudança do presidente. O primeiro é a manutenção da política de preços de combustíveis, não havendo espaço para subsídio de qualquer produto. O outro ponto é a manutenção do processo de desinvestimento.

A indicação de Bolsonaro ainda depende da aprovação do conselho de administração da petroleira e, embora sua interferência tenha sido recebida com indignação pelo conselho, em um primeiro momento, alguns membros consideram a troca inevitável.

Segundo reportagem do Valor Econômico de hoje, na avaliação de três conselheiros, rejeitar o nome de Silva e Luna pode desencadear uma crise com a União ainda mais traumática para o interesse dos demais acionistas.