Sem salário

Após diálogo com Gerir, paralisação persiste no Hugo; greve é uma possibilidade

Instituto ventilou possibilidade de pagamento na próxima quinta (25), mas técnicos e enfermeiros mantém movimento que terá paralisações diárias e por turno


Hugo Oliveira
Do Mais Goiás | Em: 23/10/2018 às 13:16:25

Com 16 dias de salário atrasado, trabalhadores aprovam continuidade do movimento em nova assembleia (Foto: João Paulo Alexandre/Mais Goiás)
Com 16 dias de salário atrasado, trabalhadores aprovam continuidade do movimento em nova assembleia (Foto: João Paulo Alexandre/Mais Goiás)

A paralisação de trabalhadores do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) contratados pelo Instituto Gerir, Organização Social (OS) responsável pela administração da unidade, será mantida até que o pagamento dos mais de mil funcionários seja depositado. Esta foi a decisão tomada pelos funcionários em nova assembleia coordenada por sindicatos após reunião entre essas entidades e a Gerir na manhã desta terça-feira (23). De acordo com a presidente do Sindicato dos trabalhadores (as) do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO), Flaviana Alves, os vencimentos estão atrasados há 16 dias e a previsão compartilhada no encontro é de que os depósitos ocorram na próxima quinta-feira (25).

Segundo Flaviana, na nova assembleia, trabalhadores definiram que a paralisação ocorrerá por plantões. “Temos plantões diurnos e noturnos. Paramos hoje das 7h40 às 13h30 e, apartir desse último horário o pessoal volta a seus postos para finalização do dia. No início do plantão noturno, ficaremos parados por mais 5h30. Assim permaneceremos diariamente até que o a situação seja resolvida”.  No momento, estão suspensas as cirurgias eletivas e a condução de pacientes para postos de enfermagem no hospital. Ainda, o atendimento priorizado a pessoas com quadros graves continua e demais necessitados podem aguardar atendimento, porém, sem previsão para que estes sejam ofertados.

Na reunião, expõe Alves, a OS propôs o fim do movimento com base em um diálogo estabelecido com a Secretaria de Estado da Saúde (SES). “A SES teria ligado para eles afirmado que estão realizando esforços para fazer o pagamento até esta quinta. Com isso, pediram que nós voltássemos à rotina norma. No entanto, este seria um compromisso não muito seguro e optamos pela manutenção da paralisação. Caso a situação persista, não descartamos a possibilidade de aprovarmos uma greve”.

Na ocasião, o superintendente da OS Marcos Henrique Santos expôs a situação financeira da empresa. Tabela apresentada por ele, segundo o Sindsaúde, mostra que o Instituto Gerir tem mais de R$ 42 milhões para receber em repasses atrasados. Veja a tabela:

Fonte: Sindsaúde/Gerir

Assista a um vídeo em que Flaviana comenta as informações da tabela:

Além dos salários atrasados, outros itens constam na pauta de reivindicações de técnicos de enfermagem e enfermeiros da Gerir. “Estamos sem reajustes há três anos, há constantes atrasos de pagamento, sem falar dos crescentes casos de assédio moral, excesso de trabalho nas escalas e aplicação de penalidades, como corte de ponto, mesmo com apresentação formal de justificativa pelo funcionário”, lista Flaviana.

Em nota, a SES afirma que está “tomando as providências junto à Gerir e Sefaz para normalizar o pagamento dos salários do mês vencido no último 5º dia útil”.

Assédio e perseguição

A presidente do Sindsaúde revela que recebeu, apenas nesta terça, cerca de 30 denúncias de assédio moral e ameaças sofridas por funcionários da unidade que aderiram ao movimento. O assunto também foi tratado na reunião, onde a administração do instituto se comprometeu em tratar a questão. “Disseram que vão evitar isso, que não são a favor desse tipo de conduta e que irão averiguar, cobrando providências de eventuais responsáveis. Em resposta, vamos procurar denunciar a situação no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e no Ministério Público do trabalho (MPT)”.

Em nota, o Instituto afirmou repudiar “qualquer tipo de conduta desrespeitosa” e ressaltou os resultados positivos em auditorias realizadas pelo Ministério do Trabalho. “A Os tem cumprido a legislação e prova disso é que nenhum tipo de situação irregular nesse sentido foi constatada”. Ainda, empresa alega se solidarizar com o momento de crise, mas frisa que depende dos repasses integrais de recursos que ficaram pendentes para a regularização das atividades na unidade.

Dificuldades

A situação é percebida por pacientes. Uma senhora de 61 anos, que pediu para não ser identificada, aguardava nesta manhã o seu marido, de 65, que realizava um retorno na área da ortopedia. Ela revela que ele ficou 15 dias internado na unidade, após sofrer um acidente, período que serviu para notar a condição precária do hospital. “Ficamos aqui no Hugo e notamos que faltava medicamentos e alguns itens básicos, como luvas, para a realização do atendimento. Era muito complicado pois, mesmo parecendo algo simples, acaba refletindo na recuperação do paciente”, conta.

A idosa ainda ressalta que notava o abatimento dos profissionais que realizavam os atendimentos. “Quando eu perguntava o que era, eles simplesmente respondiam: ‘Estamos sobrecarregados’. É triste ver pessoas realizando o seu trabalho dessa forma, pois quem trabalha quer receber”,