Cidades

Após confusão, vigilantes expulsam agente prisional de Hospital em Anápolis

Confusão teria iniciado porque agente recusou a se identificar na portaria da unidade


Hugo Oliveira

Do Mais Goiás | Em: 30/01/2018 às 11:03:22


Confusão termina com agente expulso. A PM foi acionada (Foto: reprodução)
Confusão termina com agente expulso. A PM foi acionada (Foto: reprodução)

Por volta das 9h de segunda-feira (29) o agente de segurança prisional Advaldo Rodrigues Cabral que fazia escolta de um preso internado no Hospital de Urgências de Anápolis (Huana) foi cercado e expulso da unidade pela equipe terceirizada que faz a segurança do prédio. Os motivos geradores da discussão ainda estão sendo esclarecidos, mas uma fonte do Mais Goiás revelou que o imbróglio teria se iniciado quando o agente chegou para substituir um colega que estava de serviço na unidade e o chefe da vigilância não permitiu a presença de Advaldo no hospital por este não ter se identificado na portaria. Parte do caso foi registrado em vídeo.

O vigilante João Paulo de Souza Costa registrou ocorrência na manhã desta terça-feira (30) à pedido da administração do hospital. No documento, consta que “Advaldo adentrou a recepção do Huana acompanhado de dois outros agentes prisionais para fazer a escolta de um preso identificado apenas como Ítalo, que estava internado na enfermaria”.  Mesmo assim, segundo o documento, Advaldo não quis se identificar e foi barrado pelo vigilante, que fazia o controle de entradas e saídas”.

Segundo o registro, o vigilante insistiu que Advaldo fizesse o cadastro, mas o agente recusou, afirmando que iria entrar. Barrado novamente, “Advaldo ficou alterado e empurrou o vigilante contra a porta”, além de repetir que iria entrar de qualquer forma.

Advaldo, conforme expõe a ocorrência, entrou à força na enfermaria e, momentos depois, voltou acompanhado de um colega que havia pernoitado no hospital. Nesse instante, o agente foi abordado novamente pelo vigilante, o qual informou que o supervisor de segurança estava a caminho para apurar o acontecido. O agente foi então na direção de João Paulo, o empurrou e o segurou pela gola da farda.

Na chegada do líder da equipe, acompanhado de reforços, vigilantes teriam tentado apaziguar os ânimos, de forma que a situação fosse resolvida administrativamente. Porém, segundo a ocorrência, Advaldo afirmou que só sairia da unidade conduzindo João Paulo à delegacia.

De acordo com o registro de ocorrência, por entender que o agente estava ameaçando a vida do vigilante e de terceiros, o líder dos vigias deu voz de prisão a Advaldo, que empurrou João Paulo e sacou um revólver. Segundo João, foi ouvido um som de disparo, mas não foram encontrados fragmentos de munição.

Segunda versão

O agente Advaldo Rodrigues também registrou ocorrência do seu ponto de vista. Segundo ele, os vigilantes deram voz de prisão sem justificar o motivo pelo qual o agente seria preso. “Civil só poderá realizar prisão em flagrante diante da prática de delito, o que não ficou demonstrado em tela”, consta no documento. Segundo o registro, foi nesse momento que Advaldo alertou Robson de que este poderia “incorrer em abuso de autoridade”. Foi quando o vigilante teria chamado reforço e a situação passou a ser gravada.

Em nota, a Diretoria Geral de Administração Penitenciária (DGAP) lamenta o episódio ocorrido, na manhã desta segunda-feira (29/1), no Hospital de Urgência de Anápolis (Huana), quando houve desentendimento entre um agente prisional, lotado na unidade prisional de Anápolis, e os vigilantes da unidade hospitalar. O órgão reforça que a ocorrência referente ao caso foi registrada na 1ª Delegacia Distrital de Polícia Civil de Anápolis, que vai conduzir as investigações para apuração dos fatos.

“Independente das investigações, a DGAP vai entrar em contato com a direção do Huana, com o objetivo de evitar que situações desagradáveis como essa não voltem a ocorrer entre servidores das instituições e que prevaleça sempre o bom-senso, companheirismo e o estrito respeito à lei. No âmbito da DGAP, também será aberto procedimento administrativo para esclarecimento dos fatos”.

O portal também entrou em contato com o proprietário do Grupo Elite Segurança para apurar o comportamento dos vigilantes, mas foi informado de que informações à imprensa serão repassadas exclusivamente pela assessoria do Huana.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) afirma lamentar o desentendimento ocorrido no Huana. “Trata-se de um caso isolado que será apurado para que sejam tomadas as medidas cabíveis”.

Vídeos

Na gravação, é possível ver o líder da segurança dar voz de prisão ao agente uniformizado, que segurava a farda de um dos vigias. “Aqui você não tem autoridade policial, aqui você é acompanhante. Aqui dentro a autoridade é nossa. Se você não soltar, eu vou te dar voz de prisão aqui dentro”.

Na sequência, Advaldo desafiou Robson. “Então dá”, disse em referência à voz de prisão. Por sua vez, Robson afirmou repetidas vezes ao agente: você está preso”. Cabral então sacou sua arma, mas nenhum disparo foi percebido. Assista: