Debilitado e caindo

Após audiência, João de Deus será interrogado por carta precatória

Decisão foi dada porque o médium estaria debilitado. Sendo assim, um juiz da comarca de Aparecida de Goiânia fica responsável por colher o depoimento e encaminhar para a magistrada de Abadiânia


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 21/08/2019 às 20:11:51

Médium segue preso no Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
Médium segue preso no Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

João Teixeira de Farias, mais conhecido como João de Deus, será interrogador por meio de carta precatória porque está debilitado. A decisão foi dada após audiência ocorrida no Fórum de Abadiânia na última terça-feira (20). O juiz da comarca de Aparecida de Goiânia ficou responsável por colher depoimento do médium de dentro do presídio e encaminhar para a magistrada.

De acordo com o advogado do médium, Anderson Van Gualberto de Mendonça, foram ouvidas seis testemunhas de defesa, na última terça-feira (20). Os processos são referentes às denúncias de crimes sexuais. “Elas frequentam à Casa há mais de 30 anos. Algumas foram até voluntárias. São pessoas que conhecem muito bem a rotina do local”, destaca. Anderson diz que não pode passar detalhes sobre o depoimento  porque o caso transita em segredo de Justiça.

O advogado conta que o cliente foi dispensado para participar da audiência por estar “fraco”. “Ele perdeu, em 45 dias, 17 quilos. Falam que ele está bem, mas ele não está. Ele já sofreu diversas quedas dentro da unidade”, pontua. Um relatório feito pela própria Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) destaca que, nos dias 3 e 19 de junho, o médium relatou que caiu da cama, no quarto e no banheiro. Em um deles, ele pediu para que fossem instaladas barras de segurança dentro do banheiro.

Em outro trecho, o relatório destaca que, após a realização de exames, ficou constatado que o médium apresentou escoriações e alguns hematomas.

Por meio de nota, a DGAP informou que “aguarda a notificação oficial da defesa do custodiado João Teixeira de Faria sobre as reclamações que ela apresenta à imprensa para que o órgão possa ter conhecimento formal e sejam tomadas as providências institucionais cabíveis.”

Relembre

João de Deus está preso desde o dia 16 de dezembro de 2018. Ele foi denunciado 11 vezes. É réu em nove processos, dois deles por posse ilegal de arma de fogo. O médium passou por nova audiência no último dia 12 de julho. Ele negou os crimes sexuais, mas admitiu a posse de armas. E alegou que não sabia que guardá-las em casa configurava crime.

Recentemente, o juiz José Paganucci Júnior concedeu liminar que autorizava visitas regulares de médicos para acompanharem a saúde do líder religioso. No último dia 22 de julho, o médium recebeu a primeira visita de médicos particulares dentro da prisão. Porém, a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) não deu mais detalhes sobre o atendimento e quando eles se repetiriam.

Dois dias após a primeira visita médica, nove advogados que compunham a defesa de João de Deus renunciaram ao caso. São eles: Alex Neder, Luísa Moraes Abreu Ferreira, Renato Martins, Paulo Sergio Coelho, Giovana Paiva, André Perasso, Eduardo Macul, Robert Koller e Alberto Toron. Em carta enviada à imprensa, os profissionais alegaram que “não podem dar razões” à saída do caso e que “confiam na inocência” do médium.

Na tarde da último dia 7 de agosto, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do médium, em Anápolis. Foram encontrados um arma, munição, extratos bancários e documentos – dentre eles uma carteira de agente prisional e uma da inteligência da a Polícia Militar (PM). A força-tarefa do Ministério Público de Goiás (MP-GO) busca saber se os documentos são falsos e as respectivas origens deles.
*Matéria atualizada às 10h25 de 22/08 para a inserção da nota da DGAP