Do Mais Goiás

Aparecida tem menos de 1 m² de área verde por habitante

Além de estar abaixo do recomendado pela OMS, esses espaços estão ameaçados pela degradação

Parque Tamanduá, área verde em Aparecida (Foto: Jucimar de Sousa/MaisGoiás)
Parque Tamanduá, área verde em Aparecida (Foto: Jucimar de Sousa/MaisGoiás)

Aparecida possui 12 vezes menos área verde por habitante do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Excetuando as praças públicas, existem apenas 980 centímetros quadrados de áreas verdes para cada Aparecidense. Além de estar abaixo do recomendado, especialistas ouvidos pelo Mais Goiás consentem que essas áreas estão ameaçadas pela degradação ambiental, apontada como raiz dos problemas de desabastecimento de água e mudanças climáticas.

O Índice de Área Verde por Habitante (IVH) de uma cidade é calculado dividindo o total de metros quadrados de áreas verdes públicas de um município pela quantidade de habitantes do local. Em Aparecida, o IVA é igual a 0,98 metros quadrados por habitante. Para realização do cálculo, O Mais Goiás solicitou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) o total de metros quadrados de áreas verdes públicas do município.

A pasta informou que o somatório das áreas totais da Serra da Areia, do Parque Lafaiete, do Parque da Criança, do Horto Florestal e do Parque Tamanduá. seria igual a 580.541,46 metros quadrados. A Prefeitura de Aparecida ainda comunicou que a Semma e a Regulação Urbana está preparando estudo e mapeamento de áreas verdes na cidade.

Ilhas Verdes

O geógrafo e professor da Universidade Estadual de Goiás, Bernardo Cristóvão Colombo afirma que apesar de isolados uns dos outros, as “ilhas verdes” da cidade são áreas que contribuem com a manutenção do clima de todo município. Além disso a vegetação desses locais protegem córregos essenciais para o abastecimento de toda Região Metropolitana de Goiânia.

“Precisamos frear a degradação e tentar recuperar e proteger o que ainda restou destas áreas. Aparecida é um polo atrativo para o capital, mas não podemos nos esquecer do papel que essas áreas representam para nossa sobrevivência”, afirmou o geógrafo. Bernardo ainda diz que as unidades de conservação do município estão ameaçadas pela ação antrópica e adensamento urbano. “A Serra da Areia, uma das maiores áreas verdes do município deve ter aproximadamente 30% da vegetação degradada. Nas unidades menores o estrago é maior ainda”, declarou.

Crise Hídrica

A gestora ambiental Patrícia Sahium, também afirma que as unidades de conservação e proteção ambiental do município são fundamentais para preservação de recursos hídricos e manutenção do clima. “Se começarmos a invadir beiras de córregos para desmatar, a água vai diminuir cada vez mais. Se esses locais não tiverem proteção de mata ciliar, os córregos podem até desaparecer e são eles que avolumam os rios que abastecem as cidades”, defende.

Tanto Patrícia Sahium, quanto o professor Bernardo Cristóvão Colombo concordam que a única saída para a proteção, recuperação e manutenção das áreas verdes é a união entre o Poder Público e a Sociedade Civil. No entanto, o professor Bernardo destaca que a educação ambiental tem papel fundamental para que a própria população entenda que depende do meio-ambiente para sobreviver e lute pela preservação do mesmo.

“As autoridades devem promover educação ambiental e, inclusive, pagar as pessoas para serem fiscais e agentes ambientais do município. Se não houver trabalho de conscientização, as pessoas nunca vão entender a importância do meio-ambiente e a degradação vai avançar cada vez mais”, conclui o geógrafo.

Contrapartida

A prefeitura de Aparecida teve um empréstimo arpovado no valor de U$ 12O milhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). De acordo com o secretário da Fazenda do município, André Luís Rosa, parte dos recursos será usado para implantação de cinco parques no município. Todos são hoje áreas degradadas e que necessitam de intervenções. Um deles é o Parque Tamanduá que conta com alguns aparelhos públicos, mas se encontra precarizado. “Isso não quer dizer que teremos aumento na cobertura vegetal da cidade, já que são áreas já existentes. Teremos intervenção no sentido de melhorias de aparelhos públicos”, diz.