Igor Caldas
Do Mais Goiás

Aparecida é a que menos vacina entre as 4 maiores cidades de Goiás

A aplicação da primeira dose nos pontos de drive-thru de Aparecida estão suspensas por falta de imunizantes

Covid-19: pessoas já infectadas devem esperar um mês antes de vacinar
Covid-19: polícia identifica fura-filas da vacina em Rubiataba (Foto: Enio Medeiros/SecomAparecida)

Com apenas 7,4% da população vacinada com a primeira dose do imunizante contra a Covid-19, Aparecida está em último lugar no ranking de vacinação entre as quatro maiores cidades de Goiás em número de habitantes. A capital e Anápolis contam com 11,8% da população vacinada na primeira dose. Já o município de Rio Verde, quarta cidade mais populosa do estado está com 9,1% da população vacinada com a primeira dose.

Os dados para ranquear as campanhas de vacinação foram levantados pelo Mais Goiás por meio do cruzamento de dados demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos últimos Boletins Epidemiológicos divulgados pelas prefeituras dos municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Rio Verde e Anápolis.

A vacinação da primeira dose nos pontos de drive-thru de Aparecida estão suspensas por falta de imunizantes. A campanha de vacinação continua com a aplicação da segunda dose do imunizante de das da primeira dose que já estava agendada. Ao todo, foram aplicadas 59.274 doses de vacinas contra a Covid-19, sendo 43.974 referentes à primeira dosagem e 15.300 referentes à segunda.

A falta de imunizantes é um problema que atinge todo país e gera atrasos na vacinação do Brasil em relação ao resto do mundo. “Se tivéssemos um cronograma de recebimento de vacinas, conseguiríamos programar essa imunização em tempo hábil”, afirmou ao Mais Goiás a coordenadora de imunização do município, Renata Cordeiro.

Atraso

Outro motivo apontado para a última posição no ranking de vacinação é o atraso no registro de dados de vacinação da Prefeitura de Aparecida de Goiânia. No município, metade das doses envidas pelo estado (69.700) constam como “não utilizadas e/ou não registradas” (35.228) no relatório.

De acordo com o Plano Nacional de Imunização, o Ministério da Saúde é responsável pela aquisição e distribuição das doses aos respectivos estados. Os governos estaduais devem encaminhar os imunizantes aos municípios que tem a obrigação de aplicar e registrar tudo na plataforma oficial.

Renata Cordeiro, admite o atraso no registro da imunização e afirma que o problema é causado por falta de mão de obra. “Realmente a gente não consegue fazer o registro em tempo real. Temos feito mutirão de digitação usando mão de obra até de estudantes para fazer o registro”, declara.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia (SMS) esclarece que conforme o último boletim divulgado pela pasta, até esta segunda-feira (5), foram aplicadas 59.274 doses de vacinas contra a Covid-19, sendo 43.974 referentes à primeira dosagem e 15.300 referentes à segunda.

A nota ainda afirma que os dados sobre a Campanha são lançados diariamente no sistema. e que houve atrasos no registro da última semana devido a problemas técnicos na digitalização dos dados. A nota da secretaria informa que os dados serrão atualizados nos próximos dias.

Governo do Estado

O Governo de Goiás veiculou nota que aponta divergência entre o número de doses distribuídas pelo Estado e o número que foi realmente aplicado. A nota atribui a discrepância ao atraso dos próprios municípios no registro da informação junto ao sistema do Ministério da Saúde.

De acordo com o comunicado, foram distribuídas 1.031.380 doses aos 246 municípios, mas 406.665 delas não constam como registradas ou não foram aplicadas pelas Prefeituras.

A quantidade de doses de vacinas que cada Unidade Federativa recebe do Governo Federal é calculada proporcionalmente ao volume do público prioritário para vacinação em cada estado. Ou seja, se um estado tem mais idosos e profissionais da saúde do que outro, ele vai receber mais mais doses em igual proporção.

Lentidão

A falta de doses de vacinas para distribuição aos estados e municípios e o atraso no registro de dados da vacinação gera lentidão na imunização dos brasileiros. Em Boletim Extraordinário do Observatório da Covid-19 publicado pela Fundação Oswaldo Cruz na última terça-feira, pesquisadores apontam a urgência de acelerar o processo de vacinação em todo país.

A pesquisa ainda demonstra que as novas variantes do Coronavírus permanecem em circulação intensa em todo território nacional e podem estender a crise sanitária, causando colapso nos sistemas e serviços de saúde dos estados brasileiros e suas capitais.

Além disso, os estudiosos envolvidos na pesquisa recomendam o fortalecimento da rede de serviços de saúde, aceleração da imunização da população e adoção de medidas restritivas de confinamento em regiões que apresentam tendência de crescimento no número de novos casos e óbitos causados pela infecção.