CATOLICISMO

Aos 96 anos, morre Georg Ratzinger, irmão do Papa emérito Bento 16

Com a morte do irmão mais velho, Bento 16 perde o último membro de sua família ainda vivo. Ele também serviu o exército da Alemanha nazista


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 02/07/2020 às 11:22:18

Foto tirada na casa de Georg, em Regensburg, Sul da Alemanha (Foto: reprodução/AP)
Foto tirada na casa de Georg, em Regensburg, Sul da Alemanha (Foto: reprodução/AP)

Morreu nesta quarta (1/7), aos 96 anos de idade, o padre alemão Georg Ratzinger, irmão mais velho do papa emérito Bento 16. A informação foi confirmada pelo Vatican News, portal de notícias do Vaticano. Georg estava doente e faleceu na cidade alemã de Regensburg, onde passou a maior parte de sua vida.

Com a morte do irmão mais velho, Bento 16 perde o último membro de sua família ainda vivo. Joseph Ratzinger ainda teve tempo de visitar Georg em Regensburg, entre 18 e 22 de junho deste ano, em sua primeira viagem internacional desde a renúncia ao pontificado, em 2013.

Nascido em Pleiskirchen, na Baviera, em 15 de janeiro de 1924, Georg foi ordenado como padre no mesmo dia que Joseph, em 29 de junho de 1951, mas seguiu uma trajetória diferente na Igreja.

Enquanto o irmão mais novo se tornou um teólogo respeitado e subiu na hierarquia católica até chegar ao trono de Pedro, Georg era amante da música e dirigiu o coro da Catedral de Regensburg por 30 anos, entre 1964 e 1994.

Após a renúncia de Bento 16, o padre fez diversas visitas ao irmão no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, apesar dos problemas de saúde nas pernas e nas vistas.

Polêmicas

Georg também foi alistado nas Forças Armadas da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial e chegou a lutar na Itália, onde acabou capturado pelos aliados já no fim do conflito.

Em 2017, um relatório apresentado pelo advogado Ulrich Weber apontou que pelo menos 547 meninos foram vítimas de violência física e sexual por parte de padres e professores no coral da Catedral de Regensburg.

Os crimes teriam ocorrido entre 1945 e 1992, compreendendo inclusive a gestão de Georg Ratzinger. No relatório, Weber acusa o irmão do papa emérito de ter “fingido que não via” os abusos, mas o padre sempre negou que soubesse.